Q Magazine

Finalmente, após apanhar “um pouco” da Q Magazine, consegui uma versão em português do artigo que tratou do novo trabalho do Coldplay. A revista britânica foi até The Bakery, o estúdio montado pela própria banda no norte londrino e deu detalhes do trabalho envolvido na composição do aguardado quarto disco. Alguns trechos eu, sinceramente, não me aventurei a traduzir para não lançar nada duvidoso…

Q Magazine: Coldplay

A última novidade: eles recrutaram um hipnotizador. Olhe nos meus olhos, olhe nos meus olhos…

Texto: Craig McLean/Fotos: Brian Eno

            Ao alcançar o estágio final da gravação de seu quarto CD, o Coldplay mostra-se preocupado com afirmações anteriores que declaravam a sua própria grandeza –como em “Nosso próximo álbum será a maior produção musical já feita”, frase proferida por Chris Martin durante o fim da turnê de divulgação do X&Y, o qual vendeu 12 milhões de cópias. Agora, mergulhado em um sofá no estúdio próprio da banda (localizado no norte da Inglaterra e denominado The Bakery), um irrequieto Chris está determinado a “evitar hipérboles. Vamos manter os pés no chão”.

            A banda vem trabalhando no sucessor de X&Y desde o segundo semestre de 2006. Pouco depois do início do processo, Brian Eno e seu braço direito, Markus Dravs, se juntaram ao time como produtores. Eno já conhecia o Coldplay (ele contribuiu em Low, do X&Y) e fez fama por encorajar grandes músicos a explorar universos desconhecidos e ajudá-los a focalizar uma nova direção. São exemplos marcantes The Joshua Tree e Achtung Baby, do U2.

            “Ele nos encorajou a simplesmente tentar”, diz o baixista Guy Berryman, que reconhece que a banda foi influenciada pelo experimentalismo de Brian Eno. “É muito fácil você desistir de tentar uma idéia por achar que todos vão considerá-la um lixo. Então, pensamos: não queremos copiar o U2 de qualquer forma, mas estamos trabalhando com o Brian porque ele é realmente bom e sua presença nos inspira muito. Isso tem mostrado resultados bastante positivos”.

            Os planos para colocar em teste o novo material durante a curta turnê latino-americana no ano passado foram descartados. Após o retorno aos estúdios, o mesmo aconteceu com algumas faixas nas quais os quatro músicos estavam trabalhando. Berryman diz que a banda havia atingido os mesmos patamares dos outros álbuns. Paralelamente, forçado a escrever uma porção de novas músicas, Martin conseguiu superar uma crise de confiança. “O problema de oito meses atrás”, diz ele, “é que estávamos numa posição extremamente elevada. Mas não achávamos que éramos tão bons assim”.

             Outro fator que os ajudou a quebrar a rotina foi a hipnose, idéia surgida junto ao desejo de trilhar rotas desconhecidas e que se manifestou também na composição de músicas quando em estado alterado. Algumas pessoas provavelmente concluirão que o quarteto não está em perfeitas condições mentais, mas Martin parece estar despreocupado quanto a isso. “Tudo nos últimos meses tem se resumido a romper todas as amarras”, ele diz. “Temos a sensação de que temos muito a provar. Temos tantas idéias. Às vezes, é necessário um hipnotizador para lhe dar a coragem para concretizá-las. Como resultado, escrevemos um bom material”.

            Martin falou também da liberdade do processo de gravação. Ele afirmou que o trabalho não tem sido nada além de “se isolar e parar de se preocupar com qualquer coisa que alguém possa dizer. Queremos apenas poder tentar qualquer coisa sem preocupação. Isso é Coldplay?”. Eno, além disso, trouxe rigorosidade à gravação, estruturando os dias de trabalho de modo que os músicos os seguissem com regularidade, ao contrário do ritmo de algumas bandas de rock famosas. […]. “Ele disse ‘Vocês trabalharam por tempo demais, mas não se esforçaram o suficiente’”, admite o baterista Will Champion.

            Inevitavelmente, o produtor também alterou o modo de o Coldplay lidar com a composição de uma música, encorajando-os a considerar ritmo, fazer experiências com tempo e, durante um momento de inspiração, transformou o piano de Glass of Water em três diferentes riffs de guitarra. “Soou bastante africano, o que nos agradou”, diz Berryman.

            Enquanto a Q está no estúdio, Eno aprimora Famous Old Painters, empregando um dispositivo chamado Midi Piano Bar para converter o riff do piano de Martin em uma variedade de outros instrumentos. “Não queremos piano o todo tempo”, afirma Eno, indicando outra mudança significativa no som do CD, ainda sem título definido. Da mesma forma, ele reconhece que “A banda queria abandonar a fórmula criada com os álbuns anteriores e com a qual vinha trabalhando desde então”. Conseqüentemente, enquanto X&Y amadureceu nos estúdios, a última composição enfoca os shows. “Tentamos”, ele continua, “fazer com que esse desse mais enfoque na performance”.

            Os músicos, com efeito, tentaram ser breves: o disco foi planejado para ser lançado com nove canções e somente 42 minutos. “Fomos especialmente rígidos quanto aos cortes”, declarou Eno. “Não há muitos exageros. […]”. As nove faixas foram escolhidas de uma lista de vinte músicas, sendo que a mixagem foi concluída no Natal. Entre as composições favoritas, estão:

  • Cemeteries of London: […] essa canção, possivelmente o primeiro single, é capaz de criar atmosfera;
  • Yes!: acompanhada de instrumentos de corda;
  • Lost!: de acordo com Champion, a música foi “drasticamente” reinventada através da eliminação da sua “batida hip-hop”.

            A associação entre hip-hop e Chris Martin não é uma surpresa para quem acompanha a sua trajetória. A última vez em que o cantor subiu em um palco britânico foi em setembro de 2006, quando foi convidado a  se apresentar ao lado de Jay-Z, tocando piano em Heart of the City (Ain’t No Love). Desde então, Martin tem marcado presença tanto em Kingdom Come, de Jay-Z (ele não só produziu o disco, mas também cantou na faixa Beach Chair), como no CD de Kanye West, intitulado Graduation, ao qual deu voz em Homecoming.

             Será que o novo álbum carregará traços dessa paixão pelo mundo do rap? “Brian and Markus nos tornaram familiares às mais diversas influências”, é a resposta de Martin, que oscila entre impertinência e sinceridade. “Eles nos ajudaram a perceber que não há problemas em receber influências que não sejam do Radiohead. Eles nos apresentaram Tinariwen [de Mali e intensamente rítmico], Rammstein [metal alemão], tudo”.

             Após uma fase que marcou os três primeiros álbuns, o quarto está sendo classificado como “Coldplay 2.0”. “O início de algo novo”, afirmou Champion. “Foram incríveis oito anos, mas nós chegamos ao ponto de saturação”. Ele disse também que muitas faixas compartilham um tema: “Tentar lembrar o que é importante na vida, ao invés de ser levado pela ostentação de outras coisas”.

            Chris Martin sugere que, agora, a banda tem opções mais abertas e abrangentes. “Isso é o legal de estar numa banda hoje: apesar do fato de que você nunca vai ser tão bom quanto os Beatles, pelo menos você pode roubar de milhares de fontes diferentes. É um sonho de plagiador. Você pode aprender com qualquer pessoa que esteja ávida a criar. Então, eu vou extrair idéias de qualquer pessoa que pareça desesperada por compor algo grandioso; de algum adolescente da banda do meu irmão ou de quem quer que seja. Poderia ser qualquer um”.

No WikiColdplay, há cópias da revista: capa, pág. 1, pág. 2, pág. 3.

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  1. Mariana.
    30 Janeiro, 2008 às 3:04 pm

    Essa matéria bateu um medo, e uma ansiedade ao mesmo tempo!!
    Estou super curiosa pra saber o que eles tão fazendo. o.o’

  2. 1 Fevereiro, 2008 às 12:10 am

    nossa, muito longa.
    vou ler quando chegar em casa

  3. gabee
    8 Fevereiro, 2008 às 1:45 pm

    SUUU! esse artigo ta simplesmente PERFEITO!!
    juro que tinha MUITA coisa ai que eu nao sabia!

    nossa, cada vez mais empolgada! *-*

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