Viva la… Vida

Coldplay na missão de estreitar seus laços com os fãs

Por Paul Sexton

[…]

O novo álbum do Coldplay, Viva La Vida or Death and All His Friends será lançado internacionalmente em 12 de junho pela Parlophone/EMI e no dia 17 na América do Norte, com o selo da Capitol. Um dos membors da cúpula da EMI, Guy Hands, o qual coordenou a aquisição da companhia fonográfica pelo fundo de investimentos Terra Firma, disse: “Em todo e qualquer canto do mundo, esse é o disco mais agurdado do ano.”

O sucessor de X&Y (2005) é um lançamento significativo por uma série de razões. Da mesma forma que Viva La Vida [Or Death And All His Friends] é uma manifestação ousada de uma banda que, segundo Chris Martin, passou a se sentir “um pouco descontente” ao final de seu último projeto, a importância deste álbum para a nova EMI, em meio à sua reestruturação, é inegável.

Porém, Martin, do estúdio particular [do Coldplay], localizado no noroeste londrino, apresenta uma interpretação tipicamente distensa e realista: “Estar numa gravadora influente nesse momento é como viver com seus avós”, ele diz, “Todos sabem que têm de se mudar algum dia, e vão, mas nós até que gostamos da nossa vó. Esse é, obviamente, um exemplo antiquado por causa da Internet, mas nós realmente gostamos das pessoas com quem trabalhamos. […] Temos total respeito pelo Radiohead e Raconteurs e por todos aqueles que podem fazer o que quiserem. Porém, temos um contrato e vamos tirar o máximo proveito disso e apreciar as pessoas com quem conseguirmos trabalhar.”

A RUSH OF BLOOD TO THE WEB

Com um lance audacioso para reafirmar sua intimidade com os fãs, o Coldplay disponibilizou a primeira música de trabalho do CD, Violet Hill – uma faixa com um toque dos anos 1967-68 da era Beatles – gratuitamente em 29 de abril, alcançando 2 milhões de downloads em uma semana, como afirmou a EMI. Um vinil com a canção foi dado junto a uma edição recente da revista NME – a única versão fisicamente tangível do single, muito embora no mesmo dia tenha sido iniciada a sua comercialização virtual.

“É claro que queremos vender muitos discos”, diz Martin, “Mas queremos voltar às raízes, ao príncipio de tudo […]. Todas as outras coisas que temos que fazer são em função do contrato. Tudo isso vai acontecer, é claro, mas vamos começar desse ponto. Isso nos faz sentir bem enquanto grupo.” O baterista Will Champion acrescenta: “Mais do que nunca, temos de dar às pessoas um motivo para se empolgar com música. Devido à tamanha facilidade de acesso, tudo o que você quer é apresentar ao público a maior quantidade possível de material.”

O Coldplay vai fazer apresentações gratuitas na Brixton Academy [Londres] e na Madison Square Garden, em Nova Iorque. A confirmação de uma performance em Barcelona é também esperada.

As performances não serão patrocinadas. Martin recorre com total honestidade ao mesmo estágio em que a banda está agora, mas na turnê passada, para explicar o fato. “Da última vez, estragamos tudo homericamente. Fizemos um show com a AOL, o que foi interessante. Porém, […] no fim, demos de cara com toda essas negociatas e impessoalidades. Então, dessa vez, queremos fazer um grande show e não tê-lo associado a nada ou ninguém. Estamos todos muito apreensivos porque isso nunca foi feito antes, além dos riscos. Na primeira vez que fomos chamados para encerrar o Glastonbury em 2002, enfrentamos uma situação semelhante: fazer algo maior do que pensávamos ser capazes. Mas realmente gostamos desse desafio.”

As performances gratuitas serão sucedidas por uma extensa turnê por todo o ano de 2008 e além. Por volta de 50 shows estão previstos para acontecer na América do Norte, seguidos por Europa e Reino Unido. Além disso, o Coldplay será uma das principais atrações do Summersonic Festival, a acontecer nos dia 9 e 10 de agosto, em Tóquio e Osaka, Japão. Mais datas da turnê internacional serão logo marcadas para 2009.

‘IN OUR PLACE’

No novo álbum, produzido por Brian Eno e Markus Dravs, o Coldplay soa como uma banda certa de sua trajetória criativa. A gravação ocorreu em um período em que o grupo, deliberadamente, estava fora do foco de atenção da mídia. Martin, em particular, está sempre disposto a evitar a intromissão da imprensa no seu relacionamento com Gwyneth Paltrow. Para tal, adquiriram um estúdio particular, construído a partir de uma padaria nas travessas de Londres.

“Levamos um bom tempo para entrar em forma”, afirma Martin, “É estranho fazer parte do Coldplay, já que temos integradas tantas opiniões, diversas experiências diferentes. Tivemos de hibernar por um tempo antes de sentir que tínhamos algo que valia a pena ser feito.” Quando lembrado de que havia declarado que a banda ficaria fora de alcance por um bom tempo (comentário feito durante a cerimônia do BRIT Awards, em fevereiro de 2006), ele sorri: “Fazer o quê? Eu havia arquitetado um plano…”

“A situação em que nos encontrávamos dois anos atrás tem manchas. Não estávamos nos falando. Cada um tinha um espaço próprio [e isolado dos outros] e não havia vibração. Então, pensei ‘Temos de fazer tudo voltar ao normal, temos de falar com Brian Eno, temos de chamar Phil de volta’ (Phil Harvey, ex-empresário da banda […], descrito por Martin como ‘nosso quinto membro que ninguém jamais vê’), temos de tocar num lugar pequeno, botar fogo em todos prêmios e críticas, deixar de lado a pretensão, apagar tudo isso.”

Diz Champion: “Sempre temos a intenção de dar a nós mesmo um tempo para extravasar depois de álbuns e turnês, (mas) no fim de um processo de gravação, estamos ansiosos por logo começar a turnê. Então, no fim da divulgação, ficamos pensando ‘Escrevemos algumas músicas boas, vamos voltar ao estúdio’. Você nunca tem muito tempo para sentar e se acalmar. Dessa vez, porém, realmente nos reservamos tempo para compor fora de turnê. Basicamente, passamos oito meses no [estúdio]; o encaramos como um espaço para ensaios e gravação. Simplesmente íamos lá para tocar o dia todo, todo dia.”

O papel de Eno foi crucial, segundo Martin: “Sendo as músicas boas ou não, pode-se sentir a avidez da banda […]. Ele dizia: ‘Vocês podem fazer o que quiserem, desde que haja vida.’ Então, é provável que algumas obras muito boas tenham sido relegadas porque não havia vida nelas.”

Sobre as mudanças da gravadora, Martin expressa pesar por alguns de seus amigos não estarem mais junto à empresa fonográfica, mas também estoicismo. “Muito das nossas vidas é preenchido por perdas e mortes […], é triste, mas é a vida.” Questionado sobre o contrato e se há perspectivas de estabelecer novas rotas quando ele chegar ao fim, ele graceja: “Acho que temos um contrato até o fim das eras [?]. No meu leito de morte, alguém vai aparecer e dizer ‘Você ainda me deve três álbuns’.”

Reuters/Billboard

Fonte: Coldplaying.com/forum (14/maio)

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