La Vida… Loca?

Artigo da Billboard, de 17 de maio. Prévias: Viva La… Vida e Billboard.

LA VIDA LOCA?

O novo álbum do Coldplay, Viva La Vida or Death and All His Friends será lançado internacionalmente em 12 de junho pela Parlophone/EMI e no dia 17 na América do Norte, com o selo da Capitol. Um dos membors da cúpula da EMI, Guy Hands, o qual coordenou a aquisição da companhia fonográfica [pelo fundo de investimentos Terra Firma], disse: “Em todo e qualquer canto do mundo, esse é o disco mais agurdado do ano”.

O empresário da banda, Dave Holmes da 3D Management (o qual, em janeiro, expressou sua “perplexidade” diante da partida de um dos membros do alto escalão da EMI britânica, Tony Wadsworth) disse ter sido tranqüilizado pela cúpula da gravadora, a qual afirma ser capaz de atender as expectativas de tal lançamento global e que, no momento, está passando por reestruturações.

“Sempre há uma certo grau de tensão da minha parte em relação a como as gravadoras em geral lidam com os [meus] artistas”, [Holmes] diz. “Talvez um pouquinho a mais que o normal, mas eles me acalmaram. Guy [Hands] e eu temos conversado sobre esse lançamento desde que ele assumiu a companhia e garantimos que nós dois nos sintamos seguros de que a gravadora pode dar conta disso em meio a todas as mudanças. O que eu sei é que o Coldplay tem uma equipe administrativa muito hábil que está organizando o lançamento do álbum e a turnê. Eles estão trabalhando diretamente conosco para modelar e integrar nossos esforços em torno  de sua divulgação e história de sucesso. Temos todos os motivos para acreditar que a banda dará continuidade a seu êxito comercial com o novo álbum”.

Porém, Martin, do estúdio particular [do Coldplay], localizado no noroeste londrino, apresenta uma interpretação tipicamente distensa e realista: “Estar numa gravadora influente nesse momento é como viver com seus avós. Todos sabem que têm de se mudar, e vão fazê-lo algum dia, mas nós até que gostamos da nossa vó. Esse é, obviamente, um exemplo antiquado por causa da Internet, mas nós realmente gostamos das pessoas com quem trabalhamos. Se soubéssemos a solução, faríamos alguma coisa. Temos total respeito pelo Radiohead e Raconteurs e por todos aqueles que podem fazer o que quiserem. Temos um contrato, porém, e vamos tirar o máximo proveito disso e apreciar as pessoas com quem conseguirmos trabalhar”.

Os líderes da EMI do outro lado do Atlântico, entrementes, não se preocupam em atenuar o seu entusiasmo pelo novo trabalho do Coldplay e aqueles que o criaram. “A expectativa é inacreditável em relação a artistas desse calibre”, diz o presidente da “Capitol Records” estadunidense Lee Trink. “Ouvir o que nós ouvimos foi não só um estímulo, mas também um alívio. É exatamente a direção que a banda deveria seguir. É inequivocamente Coldplay e, ao mesmo tempo, artisticamente inovador”.

[…]

“Eles precisavam ter gravado esse disco”, declara o presidente da Parlophone Miles Leonard. “[…] Quando esse escuto esse álbum, sinto uma banda mais confiante do que nunca. Ele tem muito mais alma, mais atmosfera e espírito”. Leonard até diz que o CD pode ter uma performance melhor do que o de seu predecessor: “Tudo é possível. A indústria, desde o último álbum, sofre uma queda de 35% nas vendas. Dessa forma, para qualquer álbum, ainda que bom, será difícil. Porém, este disco tem potencial para isso”.

Hands reitera sua opinião pessoal sobre o maior lançamento da EMI em seu curto período de posse: “As expectativas são altas, mas o Coldplay produziu algo que supera qualquer expectativa. Esse álbum é realmente monumental”.

A RUSH OF BLOOD TO THE WEB

Com um lance audacioso para reafirmar sua intimidade com os fãs, o Coldplay disponibilizou a primeira música de trabalho do CD, Violet Hill – uma faixa com um toque dos anos 1967-68 da era Beatles – gratuitamente em 29 de abril, alcançando 2 milhões de downloads em uma semana, como afirmou a EMI. Um vinil com a canção foi dado junto a uma edição recente da revista NME – a única versão fisicamente tangível do single, muito embora no mesmo dia tenha sido iniciada a sua comercialização virtual.

“Não recebemos informações de revendedores, mas temos acesso aos dados do coldplay.com, por isso que dá tão certo para nós”, Leonard diz. “Você pode enxergar isso cinicamente e achar que é uma ótima jogada comercial […], mas a decisão de disponibilizar a música de graça e fazer os shows de graça é o reflexo autêntico de que eles querem que algumas coisas voltem a ser como eram antes”.

“É claro que queremos vender muitos discos”, diz Martin, “Mas queremos voltar às raízes, ao príncipio de tudo […]. Todas as outras coisas que temos que fazer são em função do contrato. Tudo isso vai acontecer, é claro, mas vamos começar desse ponto. Isso nos faz sentir bem enquanto grupo”. Will Champion acrescenta: “Mais do que nunca, temos de dar às pessoas um motivo para se empolgar com música. Devido à tamanha facilidade de acesso, tudo o que você quer é apresentar ao público a maior quantidade possível de material.”

O Coldplay vai também fazer apresentações gratuitas na Brixton Academy [Londres] e na Madison Square Garden, em Nova Iorque. A confirmação de uma performance em Barcelona é também esperada. As performances não serão patrocinadas. Martin recorre com total honestidade ao mesmo estágio em que a banda está agora, mas na turnê passada, para explicar o fato. “Da última vez, estragamos tudo homericamente. Fizemos um show com a AOL, o que foi interessante. Porém, […] no fim, demos de cara com toda essas negociatas e impessoalidades. Então, dessa vez, queremos fazer um grande show e não tê-lo associado a nada ou ninguém. Estamos todos muito apreensivos porque isso nunca foi feito antes, além dos riscos. Na primeira vez que fomos chamados para encerrar o Glastonbury em 2002, enfrentamos uma situação semelhante: fazer algo maior do que pensávamos ser capazes. Mas realmente gostamos desse desafio.”

“[O concurso para que fãs ganhem ingressos] é bem pensada. Mais do que simplesmente recolhermos os e-mails dos fãs e tirar os vencedores a partir disso, faremos com que eles trabalhem e se divertiremum pouco”, diz Holmes, o qual salienta que é banda e não a gravdora que estão bancando os shows.

PÉ NA ESTRADA

[…]

As performances gratuitas [shows em Londres, Barcelona e Nova Iorque] serão seguidas por uma vasta turnê ao longo de todo o ano de 2008 e também posteriormente, com os ingressos de alguns shows na América do Norte postos à venda a partir do de 17 de maio. A maior parte, porém, será liberada somente após 14 de junho, pouco depois do lançamento do álbum.

“A turnê é uma parte muito, muito importante na organização do álbum”, afirma [David] Holmes [empresário do Coldplay]. “As vendas são estruturadas em torno do lançamento do disco – isso dá uma empolgação a mais na hora em que os discos chegarem às lojas”.

Tal estratégia de fato funcionou com “X&Y” (2005). “Coloquei [o ‘X&Y’] à venda duas semanas antes de o disco vir a público, o que foi realmente um fator determinante na venda de 740.000 cópias na primeira semana, nos Estados Unidos. E creio que, dessa vez, veremos esse evento se repetir”.

A turnê tem início no dia 29 de junho, na Filadélfia. Espetáculos maiores devem ocorrer somente na primeira parte (quando a banda fará shows nos Estados Unidos), exceção feita ao “Pemberton Festival” de Vancouver, no qual a banda será uma das principais atrações […].

“Temos acompanhado o crescimento do Coldplay desde o início, em nossas pequenas casas de shows, até evoluir para a nossa parceria nas turnês globais”, diz Michael Rapino da “Live Nation CEO” [uma dos promotoras da turnê “Viva La Vida”, e que também esteve envolvida em alguns shows da “Twisted Logic”]. Rapino prossegue: “Esta turnê é sem dúvida um dos maiores destaques do ano e estamos orgulhosos por trabalhar com Dave, Chris, Jonny, Will e Guy”.

Por volta de 50 shows estão previstas para a América do Norte, sucedida por Europa e Reino Unido […]. O Coldplay vai também tocar no “Summersonic Festival” nos dias 9 e 10 de agosto, no Japão. Cerca de 90 performances são esperadas para esse ano.

A iluminação e o planejamento do palco fica sob responsabilidade de Paul Normandale, sendo um de seus traços distintivos “muita projeção”, diz Holmes. “Vai deixar as pessoas estupefatas”.

Os preços dos ingressos ainda estão sendo discutidos. Porém, três faixas são as mais cotadas: $50, $65 e $85 são os valores que estão sendo considerados. “Vocês não vão nos ver com ingressos custando de $125 a $150”, afirma Holmes. “Eles têm muito respeito em relação aos fãs e aos preços e são muito justos na conversão do dólar para a moeda local”, diz Marty Diamond, presidente da Paradigm, o qual vem promovendo shows da banda desde a primeira turnê estadunidense. A turnê terá pré-venda de um lote limitado de ingressos através do “Best Buy” […].

Há possibilidades de mais shows acontecerem no ano que vem, na Austrália, na Ásia e na América Latina logo no primeiro semestre. Posteriormente, acontece o retorno à América do Norte e à Europa, no verão [é importante destacar que o verão no hemisfério Norte tem início em meados de junho]. “Da última vez fizemos 150 shows; dessa vez vamos acabar com um número aproximado”, afirma Holmes. A banda vai tocar em estádios europeus em 2009 e pode até fazer algo semelhante nos Estados Unidos, “se dermos conta”, fala Holmes. […]

“A resposta à música é simplesmente incrível e há muitas oportunidades que estamos considerando, relativas à televisão e algumas outras coisas que estamos conferindo”, declara Holmes. “Este não é o tipo de disco cujo lançamento é sucedido por calmaria”, diz Trink. “É um grande lançamento a ser seguido por atividade intensa e contínua que será, ao fim, impulsionada e ancorada pela turnê”. Entre as aparições na televisão, ele cita o compromisso na agenda do Coldplay, no dia 27 de junho, um show a céu aberto, no “Today”. Ele diz ainda que “outros eventos semelhantes estão por vir”. […]

‘IN OUR PLACE’

No novo álbum, produzido por Brian Eno e Markus Dravs, o Coldplay soa como uma banda certa de sua trajetória criativa. A gravação ocorreu em um período em que o grupo, deliberadamente, estava fora do foco de atenção da mídia. Martin, em particular, está sempre disposto a evitar a intromissão da imprensa no seu relacionamento com Gwyneth Paltrow. Para tal, adquiriram um estúdio particular, construído a partir de uma padaria nas travessas de Londres.

Além disso, é um álbum feito no próprio estúdio do Coldplay. Para gravar o disco, a banda adquiriu o local, especialmente equipado para a função; inicialmente uma padaria, [a base] localiza-se em uma das travessas do noroeste londrino.

“Levamos um bom tempo para entrar em forma”, afirma Martin, “É estranho fazer parte do Coldplay, já que temos integradas tantas opiniões, diversas experiências diferentes. Tivemos de hibernar por um tempo antes de sentir que tínhamos algo que valia a pena ser feito”. Quando lembrado de que havia declarado que a banda ficaria fora de alcance por um bom tempo (comentário feito durante a cerimônia do BRIT Awards, em fevereiro de 2006), ele sorri: “Fazer o quê? Eu havia arquitetado um plano…”

“A situação em que nos encontrávamos dois anos atrás tem manchas. Não estávamos nos falando. Cada um tinha um espaço próprio [e isolado dos outros] e não havia vibração. Então, pensei ‘Temos de fazer tudo voltar ao normal, temos de falar com Brian Eno, temos de chamar Phil de volta’ (Phil Harvey, ex-empresário da banda […], descrito por Martin como ‘nosso quinto membro que ninguém jamais vê’), temos de tocar num lugar pequeno, botar fogo em todos prêmios e críticas, deixar de lado a pretensão, apagar tudo isso.”

Voltar para o início, como há dez anos, em que a banda fez seu primeiríssimo show, em janeiro de 1998? “É”, responde Martin. “mas um início em que você por acaso tem os melhores produtores do mundo ao seu lado. Gravamos boa parte em janeiro, mas passamos um bom tempo compondo e andando por caminhos diferentes. Enfim, de repente, estávamos nos reunindo todas as manhãs em uma roda, com Brian Eno e simplesmente tocando”.

Diz Champion: “Sempre temos a intenção de dar a nós mesmo um tempo para extravasar depois de álbuns e turnês, (mas) no fim de um processo de gravação, estamos ansiosos por logo começar a turnê. Então, no fim da divulgação, ficamos pensando ‘Escrevemos algumas músicas boas, vamos voltar ao estúdio’. Você nunca tem muito tempo para sentar e se acalmar. Dessa vez, porém, realmente nos reservamos tempo para compor fora de turnê. Basicamente, passamos oito meses no [estúdio]; o encaramos como um espaço para ensaios e gravação. Simplesmente íamos lá para tocar o dia todo, todo dia”.

O papel de Eno foi crucial, segundo Martin: “Sendo as músicas boas ou não, pode-se sentir a avidez da banda […]. Ele dizia: ‘Vocês podem fazer o que quiserem, desde que haja vida.’ Então, é provável que algumas obras muito boas tenham sido relegadas porque não havia vida nelas”.

Ouvindo “Viva La Vida [Or Death And His Friends]”, é compor a imagem da vibração de diversas músicas sendo tocadas nos palcos grandiosos em que a banda acostumou-se a tocar.

O disco tem início com “Life in Technicolor”, a qual é instrumental e ganha velocidade após um início contemplativo. Sobre ele, Martin diz que a intenção era parecer como se a banda estivesse “chegando pelas colinas”.

Esta abranda para “Cemeteries of London”, uma canção atmosférica inaugurada com um vocal distintivo. Antes do primeiro minuto ter fim, evolui para o tipo de produção expansiva que caracteriza a maior parte do álbum, sendo duas de suas marcas distintivas a percussão e a guitarra estridente. “Lost”, por seu turno, é acompanhada pelo som pesado, porém amigável, de palmas, além do órgão de aura hínica. Já “42” é mais contemplativa e inicialmente melancólica, enquanto “Lovers in Japan/Reign of Love” é uma das três faixas com título duplo, sendo que as outras são “Yes/Chinese Sleep Chant” e a final “Death and All His Friends/The Escapist”.

A “outra” canção que dá nome ao álbum, “Viva La Vida” tem o som incisivo de instrumentos de cordas e uma melodia imediata. “Strawberry Swing” […], tidas por alguns como reminiscências do trabalho de Eno com o U2. No todo, o álbum tem toques de riqueza instrumental e, por vezes, experimental, porém, é vê-se quase instantaneamente que é Coldplay. “Eles entenderam como se traduz e engrandecer discos, de sorte a torná-los uma experiência de vida”, fala Diamond. “E isso é estimulante”.

“Tenho um lado em mim que sempre quer conferir [nossa música] “, diz Martin. “Sou um grande fã de cantar junto, então o princício é pensar ‘Quantas pessoas podem cantar isso de uma só vez’? Nós definitivamente temos algumas músicas novas que seguem essa idéia”.

O entusiasmo inicial em relação ao disco teve vastas proporções. Amy Doyle, da MTV, declara: “As [primeiras] canções que ouvimos estavam todas na corrida para ser o primeiro single. Entendemos sinceramente por que eles tiveram de enfrentar uma escolha tão difícil”.

[…] No iTunes, a pré-venda digital do álbum começou em 6 de maio (quando “Violet Hill” foi disponibilizada para ser baixada e compradores), recebendo os compradores a garantia de que uma faixa extra seria entregue juntamente, no dia do lançamento. [The street date version] virá acompanhada de outra faixa além de um videoclipe, ambos igualmente exclusivos. Holmes também cita o YouTube como um novo veículo. “Ele faz parte de nossos planos de divulgação agora, o que não aconeteceria há três anos e meio. Estava limpando minha mesa, quando achei esse velho plano publicitário do MySpace, durante o lançamento do último disco […]. Fizemos uma grande campanha com eles, mas é engraçado olhar para trás e ver essa plataforma diferente. Antes, isso não fazia diferença alguma, mas hoje, exerce um papel preponderante”.

Todavia, o empresário do Coldplay considera o mercado tradicional uma parte ainda vital. “É importate da mesma forma, para mim. As pessoas ainda compram CDs e o Coldplay é uma dessas bandas cujos fãs querem ter o disco em mãos, o conjunto completo”. Holmes está extremamente otimista em relação à reestruturação da EMI, sustentando que nem ele nem a banda jamais manifestaram publicamente dissatisfação com os novos métodos. “Simplesmente esperamos para ver. A imprensa cometeu exageros um tanto absurdos. Não lembro de nenhuma vez termos dito que não faríamos o lançamento. Dizia-se que alguns artistas entraram em greve, mas nunca entramos nesse grupo”.

[…]

Martin comenta as atitudes da administração anterior da gravadora: “Nos desagradava quando faziam relações entre a gente e o mercado de ações; isso era estranho. Mas ainda somos do tempo em que se pensava: ‘Não ia ser o máximo se conseguíssemos um contrato com alguma gravadora?’. Esse ainda é o sonho de qualquer músico”.

[…]

Sobre as mudanças da gravadora, ele expressa pesar por alguns de seus amigos não estarem mais junto à empresa fonográfica, mas também estoicismo. “Muito das nossas vidas é preenchido por perdas e mortes […], é triste, mas é a vida.” Questionado sobre o contrato e se há perspectivas de estabelecer novas rotas quando ele chegar ao fim, ele graceja: “Acho que temos um contrato até o fim das eras [?]. No meu leito de morte, alguém vai aparecer e dizer ‘Você ainda me deve três álbuns’.”

 

 

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  1. Filipe
    31 Maio, 2008 às 10:48 pm

    Excelente…

  2. CriS_SantoS
    1 Junho, 2008 às 11:36 am

    Suuuu muito obrigada!! Vc é uma santa tendo paciência pra traduzir tudo e tão rapidamente!! Valeu mesmo!!

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