Início > 4º Álbum, Biografia, Lost! (in translation) > Viva La Vida: “Promo Interview” [Parte 1]

Viva La Vida: “Promo Interview” [Parte 1]

Quando vocês começaram o processo de gravação daquilo que se tornaria Viva La Vida?

CHRIS: Começamos um dia após terminarmos nosso último álbum, X&Y, porque sentimos no mesmo momento que tínhamos algo a provar, estávamos ‘com fome’, novamente. Assim, após os shows, eu ficaria compondo ou Jonny ficaria compondo noite adentro. Isso acontece depois de performances; você continua dominado pela adrenalina. Então, na maioria das noites, escrevíamos músicas.
JONNY: Tocamos juntos diversas vezes, na checagem do som, nas infinitas horas de checagens e gravações de material novo antes de, finalmente, ir para o estúdio.
CHRIS: Não acho que nos sentimos envergonhados em dizer que fizemos algumas jam sessions. Já estamos na estrada há um tempinho. Fizemos isso, e daí? Nos processem!

É verdade que vocês se inspiraram em uma música do Blur para gravar esse disco?

JONNY: Há uma música chamada “Sing”, que é bastante inspiradora para uma só música. Ainda estávamos divulgando o X&Y em turnê.
CHRIS: É, “Sing” do Blur. Estávamos em um camarim que tinha uma estátua interessante. Lembra?
JONNY: Lembro e tentamos fazer uma de nossas músicas, “Lost!” se parecer com “Sing”.
CHRIS: Somos os piores plagiadores do mundo, porém os mais estusiasmados. Tentamos copiar tudo, o que geralmente acaba em fracasso, então, acabamos fazendo algo que soe como nosso, na tentativa de nos parecermos com outro artista. Creio que a principal regra para esse álbum foi que nós poderíamos fazer qualquer coisa com que não nos sentíamos confortáveis antes, descartar os truques antigos e que cada faixa tivesse um colorido diferente.
JONNY: Quanto mais você já fez, já gravou, maiores são os perigos de você se auto-plagiar, o que realmente tentamos evitar.
CHRIS: Nossa lei era: podemos roubar de todo mundo, menos de nós mesmos.

Will, fale sobre a nova base de vocês, The Bakery e a cronologia do álbum.

WILL: Vínhamos procurando por um espaço para chamar de QG por um bom tempo, mas isso não é muito fácil de se achar em Londres; queríamos achar um lugar acessível para todos nós, onde pudéssemos ir a qualquer hora do dia ou da noite. Uma tarde dessas, Chris estava passando por um beco e viu algumas pessoas lá, segurando pranchetas. Ele, então, entrou para dar uma espiada; da rua, é muito difícil perceber o lugar, que é meio escondido. Tem três andares e é um ótimo espaço. Naquele momento, era uma galeria de arte, creio eu, e as aquelas pessoas estavam lá justamente para a compra. Chris teve uma pequena conversa com o corretor e disse que poderíamos fechar negócio naquele mesmo dia. O outro grupo não foi muito obstinado, então, resolvemos investir. Não queriam nos vender, mas havíamos simplesmente adorado o local. É o melhor lugar, é onde tiramos fotos, fazemos reuniões, as pessoas que nos ajudaram iam lá, é onde temos nosso estúdio, onde está nossa equipe, o todo tempo. É um grande alívio para o processo de gravação: você não tem de ficar pagando ninguém, não tem de se preocupar com ninguém interrompendo uma gravação. Você simplesmente vai lá, compõe, passa o dia todo lá. A maior parte do tempo que passamos trabalhando nesse álbum foi tocando, ensaiando e escrevendo, sem pressão para realmente gravar.
GUY: Acho que levamos uns quatro meses para construir The Bakery e o estúdio, instalar o isolamento acústico e deixar tudo funcionando, mas acho que passamos um bom ano de gravação propriamente dita. Não obstante, como o Will disse, a parte mais importante é ter um lugar em que nos sentimos em casa, que podemos ir no meio da noite, se quisermos. É um ótimo lugar para se reunir e discutir qualquer coisa, não só música.

Então esse espaço significa que vocês podem tocar junto quando quiserem.

WILL: No último disco, boa parte do material não foi gravada em conjunto. Na Bakery, foi totalmente o oposto, porque ficamos lá por meses e meses só tocando e compondo. Fazíamos gravações apenas para podermos escutarmos o que havíamos feito, mas não estabelecamos datas para começar a edição ou a produção, deixamos as coisas acontecerem, o que deu bastante espaço para as músicas respirarem.
GUY: Quando você está tocando com outras pessoas, você tenta impressioná-los, principalmente quando uma música está sendo desenvolvida: sempre há a necessiade de encontrar algum gancho, ritmo ou verso que dê coesão à composição e você sempre tenta ser a primeira pessoa a conseguir esse elemento.

Como foi a escolha dos produtores?

JONNY: Decidimos perguntar a Brian Eno quem deveríamos chamar para a produção e ele disse…
CHRIS: “Eu”. É verdade. Chamamos-o para uma reunião para que ele nos desse alguns conselhos: “Brian, realmente queremos fazer algumas mudanças. Quem seria bom para isso?” e ele respondeu “Bem, eu posso tentar”. Então, Markus e Rik, os dois outros cavalheiros responsáveis pela produção, faziam os ajustes finais…
JONNY: Fazer com que o som da bateria ficasse bom, esse tipo de coisa.
CHRIS: Eles simplesmente surgiram do nada. Não me lembro como… Oh, Markus foi recomendado pelo Arcade Fire e Rik nós conhecemos faz tempo.
JONNY: Desde a gravação do A Rush Of Blood To The Head.
CHRIS: Conhecemos Rik desde que ele tinha seis anos, quando ele trabalhou no A Rush Of Blood To The Head.

Brian trabalhou com vocês na produção do álbum. Qual foi a sua influência, em poucas palavras?

GUY: Um dos maiores ensinamentos que tive (e com que todos irão concordar) é que são sempre as idéias por que você está menos interessado que trazem os melhores resultados, ao passo que, às vezes, as idéias que te deixam mais empolgado acabam se revelando decepcionantes. Uma coisa que Brian Eno de fato nos fez enxergar foi que, qualquer princípio de idéia, não importa o quão pequena seja pode se tornar algo que chama a atenção.
JONNY: Brian introduziu um grande entusiasmo por novas alternativas, por performances ao vivo, por tocarmos juntos o tempo todo e fazer com que todos fiquem envolvidos. Ele é tão entusiasmado com música que nos deixou empolgados por gravar novamente.
CHRIS: Ele é muito bom para trazer algo novo e… Todos os dias com o Brian tinha algo para novo para conhecer, para ver […]. Com ele, nos sentimos na escola novamente, consideramos Brian como um professor. Todos os dias esperávamos ele chegar para ouvir o que tinha a dizer. Outro fator importante é ter nos feito sentir liberdade novamente; não sentimos a pressão de qualquer expectativa ou do nosso passado ou mesmo nosso futuro. Foi muito bom, não nos sentimos como se fôssemos o Coldplay, o que faz desse o nosso primeiro álbum de que se pode gostar sem problema, porque não estamos presos pelo fato de estarmos no Coldplay, entende?
JONNY: Isso te deixa sem medo para experimentar coisas que, num primeiro momento, parecem de muito mau gosto ou muito idiotas.

Advertisements
  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: