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Viva La Vida: “Promo Interview” [Parte 3]

Vamos analisar o álbum detalhadamente. Life In Technicolor é tanto a primeira quanto a última faixa. Isso foi deliberado?

GUY: Originalmente, “Life In Technicolor” era uma música completa, que ainda existe, mas tivemos a impressão que a canção inteira não encaixava no álbum. Mas sempre ficamos inclinados a pensar que a primeira parte dela, instrumental, deveria ser o primeiro som que todos ouvissem, já que é edificante, diferente e define os rumos do restante do álbum. Dessa forma, nunca foi colocado em questão que essa deveria ser a primeira faixa do disco.
CHRIS: Queríamos começar com A) O melhor toque de celular de todos os tempos, B) Eu não queria cantar por alguns minutos, para que, assim, as pessoas que não gostam da gente pudessem aproveitar um pouco, entende? É resultado de insegurança, mas, também, confiança. Essa é nossa grande dicotomia: nos sentir como a melhor banda do mundo e, paralelamente, pensar que não fizemos nada bom ainda. Toda a nossa vida está encapsulada nesses dois minutos de música. E esse riff , eu digo para mim mesmo, é um excelente toque de celular.

Cemeteries of London é a próxima.

CHRIS: “Cemeteries of London” foi inspirada pelos quadrinhos da Marvel, essas histórias sobre fantasmas, coloridas só com preto, azul e cinza. Nos perguntamos se as pessoas realmente costumavam queimar ou afogar as bruxas no passado, então fizemos algumas pesquisas sobre o afogamento de bruxas, de onde surgiu a música, ainda que os versos sobre isso nunca… Eles chegaram a ser cogitados? Não, não chegaram… É nossa tentativa de fazer algo como “Thriller”, na verdade.
GUY: Quando penso em “Cemeteries of London”, definititivamente vejo uma Londres antiga, dickensiana, em preto e branco, com uma neblina grossa e figuras sombrias de cartola. É uma música cheia de imagens, que evoca imagens muito específicas.
WILL: Lembro de Chris falando que era inspirada por uma graphic novel sobre os tempos antigos, algo em torno de mil e oitocentos, habitada por muitas figuras sombrias e misteriosas, com cartolas e bigodes.
JONNY: Markus e Will estavam tentando… Porque começava com um ritmo 3/4 [?] regular e Will estava tentando usar “cross-rhythm”.
WILL: Pessoalmente, acho que há um foco na estrutura […]. Na primeira vez que Chris a tocou, era só um violão, 3/4, um som estridente e tenso. Há também a repetição dos últimos versos […] e não há realmente um refrão… O refrão só tem uma linha, na verdade. Markus Dravs e eu tentamos tirar um pouco do seu equilíbrio. E Markus teve a idéia de usar uma marcação de dança [?], para fazer com que a música ficasse mais tensa. Experimentamos diversas maneiras de alcançar esse efeito. Acho que estou bastante satisfeito com o resultado porque foi algo delegado só a mim. É um ritmo bom de se ouvir. Como baterista, é legal ter algo assim em que se trabalhar, tão interessante e variável.

A faixa seguinte é Lost!

CHRIS: “Lost!” é o alicerce desse disco; em todos os nossos álbuns, há uma música que dá base para a composição de todas as outras. E essa, para mim (não necessariamente para todos nós), é a mais importante, no sentido de que, sem ela, não teríamos escrito as outras. Ah, sim. A compomos durante uma checagem de som, depois de escutarmos essa música do Blur, “Sing”. Depois, Phil, nosso quinto membro, disse ao Will, ou alguma outra pessoa o fez, “Já experimentou percussão eletrônica?” e ele respondeu “Não, nem me importaria”. No dia seguinte, ele apareceu com essa batida, que é a melhor de todos os tempos. Ele finge que não está empolgado, mas, no fundo, no fundo, ele está.

42, agora. Fale sobre essa música, Jonny.

JONNY: Por uns dois anos, vínhamos tentando gravar uma música que não tivesse nenhuma refrão ou mesmo nenhum verso, apenas uma seção, seguida por outra , que evolui em mais uma e “42” foi a primeira vez que conseguimos fazer isso com sucesso.
CHRIS: Apesar de que, todas as vezes que tentamos, chamamos a música de “42”. Essa é mais ou menos a nona “42”. É nossa tentativa de fazer “Bohemian Rhapsody”, “Paranoid Android”, todas essas músicas que amamos, com A, B, C, D, E, F, G. Estruturalmente. Estou falando de estrutura, crianças. É muito complicado.
GUY: Como o Jonny disse, “42” é uma tentativa de seguir uma estrutura musical incomum. Chris mencionou “Bohemian Rhapsody” e “Paranoid Android”, além de algumas trabalhos dos Beatles, os quais também fizeram isso no Abbey Road. Dessa forma, definitivamente há influências dos Beatles nessa música […]. Havíamos tentado estruturas semelhantes antes, mas não tinha dado certo, portanto, ficamos todos muito surpresos contentes quando surgiu essa composição tangível.
WILL: Lembro que… Há, obviamente, essas três seções totalmente distintas, que todos adoramos, mas todas as vezes em que tentávamos tocá-las, nos perguntávamos se realmente funcionariam juntas, como iríamos agregar os segmentos. E, diante de transições entre partes que não parecem funcionar, é preciso ter muita confiança, tocar muito intensamente, sem tentar ser pretensioso; assim, a chave é a confiança, deixar a música ser tocada naturalmente.

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