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Come back and sing to us

Matéria de 5 de agosto do Excélsior online:

Passada a euforia em torno do mais recente lançamento do Coldplay, Viva La Vida Or Death And All His Friends, a banda pode agora refletir acerca da importância de seu novo disco, a expectativa gerada entre seus fãs e a responsabilidade assumida quando decidiram continuar reinventando-se.

Imerso em uma extensa turnê pelos Estados Unidos, Chris Martin, vocalista da banda britânica, explicou-nos que eles mesmos haviam decidido por mudar seus direcionamentos. Para tal, contaram com um dos mais reconhecidos produtores da indústria fonográfica, Brian Eno, responsável, entre outros, pela marca distintiva do U2.

“Brian já era um herói pra gente mesmo antes de trabalharmos juntos, por conta de seu trabalho desde que estava no Roxy Music e o que havia feito com bandas como Talking Heads, U2 e com David Bowie. Costumávamos tocar algumas de suas músicas antes de subirmos no palco; assim, quando tivemos a oportunidade de trabalhar com ele, ficamos realmente entusiasmados”, afirmou Martin, em entrevista exclusiva ao Excélsior, sobre o papel do produtor, o qual permitiu que explorassem novos matizes em sua música.

“Ele se tornou um mestre pra gente, nos fez enxergar coisas na música que nunca havíamos percebido. Tudo começou quando escutamos discos de Donna Summers com ele; tudo isso deu vazão a mudanças em nossa percepção e atitude. Foi algo importante porque rompeu com nossos parâmetros sem nos impor mais nada, isto é, ele não chegou com um modelo de como queria que nós fôssemos, apenas deu idéias de como poderia se dar nosso processo criativo. Foi muito proveitoso pra mim”, explicou ele.

E foi essa vontade por reinventar-se que culminou em uma alteração drástica na abordagem da banda em seus três primeiros discos, Parachutes, A Rush Of Blood To The Head e X&Y e o som apreendido em Viva La Vida.

Além disso, essas mudanças foram algo que Chris Martin, o guitarrista Jonny Buckland, o baixista Guy Berryman e o baterista Will Champion sempre buscaram, [mas] sem deixar que a sua música ficasse à mercê da sorte ou de fatores externos à banda.

“Foi uma decisão que nós mesmos tomamos. Fizemos isso porque achamos que seria perigoso nos repetir e enfastiar a nós mesmos, além do fato de que as pessoas enjoariam se escutassem a mesma coisa. Em verdade, queríamos trabalhar com pessoas novas e, com sorte, pudemos trabalhar com Brian e encaminhar um processo diferente do que havíamos experimentado até então. A idéia era conseguirmos algo novo”.

Não obstante, a parceria com Brian deu reinício às comparações com o U2, nunca bem recebidas pelo Coldplay. “Não queremos ser o novo U2. Adoramos a banda, mas temos a nossa própria identidade. Acho que só queremos ser uma grande banda. O que quero dizer é que tentamos dar o nosso melhor na composição das músicas e que nos esforçamos pra fazer os melhores shows. Isso é ao que aspiramos”.

Superar-se requer um trabalho minucioso, mas, igualmente, previne que a banda ofusque-se com seus louros. A chave, diz Martin, é não tomá-los como garantia certa. “Nossas perspectivas não sofreram grandes alterações, o que acontece é que nos damos conta que ser uma banda de sucesso não significa grande coisa, a não ser que realmente se aprecie o que está fazendo. Queremos continuar na busca de novos parâmetros; temos de trabalhar com seriedade para que, assim, o êxito que tivermos seja mais significativo e nos tornemos músicos melhores, já que há pessoas que não entendem que ser famoso não é sinônimo de ser um bom músico”.

Se depender dele, o Coldplay seguirá buscando inspiração nos pequenos detalhes que os acompanham a cada dia. Quatro discos bem sucedidos não anuviaram a percepção da banda, que afirma ainda ser capaz de sonhar com novas alternativas. “A inspiração vem de coisas que não conhecíamos antes. Nas viagens à América Latina, ao México, tudo isso mudou a direção de nossa música. Ademais, a tecnologia permite que você tenha acesso a muitas propostas musicais de imediato, para o que levaríamos muito mais tempo no passado. Pode-se escutar qualquer coisa, está tudo à mão. O momento é muito propício ao cenário musical, o que nos instiga”.

Para uma banda que conquistou os mercados europeu e americano, que lota estádios e que vende discos aos milhões, pode ser difícil encontrar novos rumos. No entanto, Chris Martin prefere viver o momento e, no instante, enfoca a turnê com a qual estão se ocupando agora.

“Queremos que essa seja a melhor turnê que já fizemos em nossa carreira e [depois] seguiremos trabalhando em nossos próximos discos. Mas antes, estou seguro que iremos ao México no ano que vem, ainda que ainda não haja uma data definida. Cidade do México é o melhor lugar para um show”, declarou Martin.

Chris Martin ficou conhecido por sua colaboração com as causas sociais que o tornaram porta-voz de campanhas como a da Oxfam, com quem viajou para conhecer as conseqüências de um comércio injusto. “Vamos continuar trabalhando com a Oxfam. Nós apenas apoiamos; há pessoas que entendem muito mais do assunto do que a gente. Fazemos o que nos cabe, com anúncios e afins, para fazer com que a situação mude. Tomara que sim!”.

Agradecimentos: Pris, fórum Coldplaying.com | Foto: Flickr

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