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So you take a picture of something you see

28 Setembro, 2008 1 comentário

Guy: “Estar no palco é simplesmente demais”
Coldplay.com bate um papo com Guy em Budapeste

Olá, Guy, como vão as coisas?
Muito bem, obrigado. No momento, estou em Budapeste, que é um território inexplorado para mim. É muito estimulante estar em um país desconhecido.

Você vai ter tempo para dar umas voltas e conhecer o lugar?
Bom, vamos para Viena amanhã, às duas da tarde, então vou ter a manhã para ir a algumas lojas de antigüidade e comprar a maior quantidade de quinquilharias que puder.

Esses são os seus procedimentos regulares quando você está em turnê?
É. Comprei um gramofone em Praga hoje, bem como alguns livros de alguns fotógrafos tchecos. Gosto de sair procurando coisas que não podem ser compradas na Inglaterra.

Após uma longa turnê, você volta para casa com a bagagem abarrotada?
Sim, cheia de livros, em particular.

O gramofone que você comprou funciona?
Funciona de verdade. Por outro lado, tenho que arranjar gravações adequadas para ele. A que eu usei para testá-lo estava sujo e riscado.

Ele toca 78s?
Acho que sim.

Talvez você devesse contatar para a Parlophone e checar se eles podem lançar uma versão especial de Viva La Vida.
Na verdade, isso não é uma má idéia!

Parece que você tem tirado um bocado de fotos, não?
Realmente. Tiro fotos em todo lugar que vou, na Inglaterra ou em outro país, de qualquer coisa que me interesse. E estou definitivamente pensando em tirar muitas fotos nessa turnê e organizar as melhores em alguma publicação. Se ela vai ser lançada em breve ou em dez anos é algo que teremos de esperar para ver.

A banda não deve ficar muito intimidada quando é você que está com uma câmera.
É verdade, assim posso tirar fotos de vários momentos que outras pessoas encontrariam mais dificuldades.

Que tipo de câmera você usa?
Uma Leica M7, que utiliza filme fotográfico.

Das antigas!
De fato. Não dá para superá-las.

Você espera até chegar em casa para revelar os filmes?
Sim, eu geralmente tiro fotos ao longo da turnê e, assim que volto para casa, levo os filmes para revelar.

Ver as fotos reveladas deve ser excitante.
E é! Parece uma manhã de Natal.

Por que você persiste com os filmes e não usa uma digital?
Pelo simples fato de eu acreditar que, com máquinas digitais, você tira uma quantidade muito grande de fotos péssimas que não te deram trabalho algum. E mais: todos tiram fotos assim, hoje, então é diferente tirar fotos que se destaquem assim.

Qual é o lance de tentar tirar fotos com os seus pés?
Bom, eu ainda não dominei a técnica, mas estou tentando instalar algumas câmeras perto do palco e que posso colocar em funcionamento à distância. Estou só modificando algumas coisas de infra-vermelho para adicioná-las aos meus pedais e tirar fotos enquanto estamos todos no palco. Creio que não estamos muito longe de conseguir isso.

Você aprende muita coisa com os fotógrafos que trabalham com a banda?
Não exatamente. Acho que o melhor jeito é de aprender a tirar fotografias é na prática. Você pode ler sobre o assunto, mas a questão é partir para a ação mesmo e analisar a diferença de resultados dos diferentes métodos.

Você tem um fotógrafo favorito?
Há tantos. Tenho muitos e muitos livros sobre o assunto. Extraio idéias de todos eles, não de apenas uma pessoa.

É algo que você gostaria de fazer profissionalmente?
Para falar a verdade, estou curtindo tirar fotos sem estar sob nenhuma pressão. Só estou tirando fotos para mim. A idéia de ter um cliente e ter de fotografar por alguma razão específica não é algo que me atrai muito.

Vimos que seu amigo Magne juntou-se a vocês no palco, em Oslo. Como vocês se conheceram?
Conhecemos o A-ha alguns anos atrás em Barcelona e mantivemos contato com eles, em particular com Mags. Ele é sempre acolhedor para conosco quando visitamos a Noruega.

Parece que a versão de Hunting High and Low que ele e Chris fizeram caiu muito bem.
É mesmo. Obviamente é a casa do A-ha e o público foi realmente muito receptivo.

E você formou Apparatjik com Magne para compor uma música para o programa Amazon. Como isso aconteceu?
Na verdade, foi a idéia de um amigo em comum, Martin Terefe, um produtor. Escrevemos e gravamos essa música em um estúdio bem pequeno em Copenhagen, em umas três horas, por isso ficamos tão surpresos em ver que a sua recepção foi tão positiva. Nem ao menos ouvi a versão final. E ainda não estou certo da pronúncia correta do nome da banda!

Os outros rapazes disseram ser esta a melhor turnê que vocês já fizeram. Você concorda?
Aham, a turnê tem ido muito bem mesmo. Todos têm aproveitado o máximo das cidades que visitamos, o público tem sido incrível e acho que estamos tocando tão bem juntos, de um modo que nunca fizemos. Tem sido realmente muito bom. Estamos numa fase em que estamos adorando subir aos palcos porque não temos mais nenhuma outra preocupação, senão aproveitar ao máximo esse momento. É o estágio em que tocar chegar a ser quase uma ação involuntária. É uma sensação ótima.

Que tipo de baixo você usa?
É um Fender Precision Bass. Flertei com outras, mas você sempre volta para aquele que mais ama.

Em turnês passadas, a banda usou a passagem de som para trabalhar em novas músicas. Isso é algo que você têm feito ultimamente?
Ainda não porque, na verdade, há algumas músicas que já gravamos e que estamos tentando desenvolver no palco; ou seja, ainda não começamos a trabalhar em novas músicas ainda. Além disso, acho que há o risco de compor músicas demais enquanto você ainda está em turnê porque você vai para o estúdio com essas idéias pré-fabricadas, o que pode te deixar um pouco travado durante o processo de gravação. Dessa forma, estou torcendo para evitarmos fazer isso dessa vez.

Ficamos sabendo por meio de Roadie#42 que vocês têm tocado músicas do Oasis no lugar.
É verdade. Oasis de fato marcou presença um dia desses. AC/DC também aparece com freqüência. E nós brincamos com muitas outras coisas -eu assumo a bateria enquanto Will, o baixo, e tocamos Stone Roses ou algo do tipo.

Parece que vocês têm se divertido.
Sim, acho que é justo dizer que estamos todos revivendo os velhos e bons tempos.

Entrevista: Chris/Espanha

12 Setembro, 2008 Deixe um comentário

“Precisávamos romper com estereótipos”

Fonte: elmundo.es

 “Havíamos alcançado uma fase que pensamos: já que não podemos ser mais importantes, vamos ter de nos esforçar e melhorar”, explica Chris Martin.

“Eu também havia tomado a decisão de trabalhar a minha forma de cantar e ter aulas canto fazia anos. A professora me disse: “Olha, Chris, já estou enfadada com a sua maneira de cantar, você tem de mudar”. Eu, pessoalmente, não me sentia assim, mas é verdade que, de certo modo, ela tinha razão e eu tinha consciência disso. Assim, me esforcei ao máximo. Quando se é uma estrela do rock, sempre fica difícil reconhecer que você deve aprender algumas lições. Isso acontece com muito menos freqüência em outros campos artísticos ou nos esportes”.

Essa era a atitude de Martin (Devon, 1977) e o estado de espírito de seus companheiros de banda quando iniciaram a composição de seu quarto disco, o complexo e ambicioso Viva la vida or Death and All His Friends.

O álbum já vendeu seis milhões de cópias desde o seu lançamento em junho e agora, em setembro, o quarteto londrino se propõe a conquistar uma platéia maior na turnê européia que acaba de começar e que chega à Espanha com todos os ingressos vendidos há meses.

Chris compareceu à [nossa] entrevista irradiando uma alegria contagiosa. O pianista, guitarrista e cantor mostrou-se disposto a responder às perguntas que lhe fizeram sobre esperanças e ambições, tanto em relação a Viva La Vida, como a sua carreira em geral.

Quais foram suas principais influências na gravação de Viva La Vida?
Nos esforçamos ao máximo para tentarmos ser mais abertos, mais ousados e mais ecléticos. No caso deste álbum, muitas influências musicais nos serviram de inspiração. Escutamos desde Rammstein a Tinariwen, passando por My Bloody Valentine, George Gershwin e até Marvin Gaye. E Radiohead, que sempre representa para nós uma influência muito importante. Não queríamos impôr nenhum tipo de barreira musical. De certa forma, víamos o disco como nosso Sgt. Peppers ou Achtung Baby, do U2, no sentido de querer estabelecer um ponto de transição, uma nova direção em nossa carreira.

Vocês já declararam que, no passado, o ponto mais vulnerável do Coldplay era um perfeccionismo extremo. Vocês se preocuparam em adicionar um grau maior de expontaneidade em Viva La Vida?
Continuamos sendo perfeccionistas, mas fizemos o possível para nos curarmos! [Mas] cuidamos que o jardim florescesse à sua própria maneira, sem arrancarmos as ervas daninhas.

Sempre se torna complicado para um banda que alcançou tamanho sucesso (35 milhões de discos vendidos, aproximadamente) continuar tentando superar-se e crescer. Vocês sentiram necessidade de encontrar uma sonoridade diferente?
Precisávamos romper com estereótipos. Como banda, quando se alcança uma certa visibilidade, sempre se corre o risco de recorrer vez outra à mesma fórmula e acabar perdendo mesmo os fãs mais constantes. Aproveitamos bastante do nosso sucesso para nos cercar de muitas pessoas talentosas, de modo a podermos buscar novas fórmulas para inovarmos, experimentarmos e nos renovarmos artisticamente; queríamos explorar caminhos que não ousamos percorrer fazia cinco anos.

Nesse sentido, como Brian Eno e Markus Dravs, seus novos produtores, ajudaram nessas novas trajetórias?
Nos ajudaram a abandonar a zona de conforto e comodidade em que costumavámos penetrar para fazer as coisas. De certo modo, Brian e Markus empenharam-se em nos desconstruir e remontar novamente. O mais importante é que tiveram o bom senso de nos alertar (“Parem!”) em determinados momentos. Considere, por exemplo, a música Lost!. Tínhamos uma versão original na qual havíamos trabalhado durante nove meses. Pois bem, ao final, Brian nos disse: “Vamos usar a primeira versão”. Era a que havíamos gravado em 25 minutos! Mas tinha razão. Sem Brian e Markus, teríamos ficado no estúdio dando retoques aqui e ali, com nosso perfeccionismo. Se dependesse da gente, Viva La Vida teria chegado às lojas em 2071!

Vocês realmente acreditavam que o disco seria tão bem sucedido quanto os anteriores?
Sinceramente, não. Os dias que antecederam a data de lançamento nos foram muito penosas; até me tiraram o sono. Morria de impaciência. Queria passar de loja em loja perguntando o que as pessoas achavam, se estavam ou não comprando o CD, se estavam ou não baixando as músicas. Não me importava mais nada, só queria saber se as pessoas gostavam do álbum.

O título foi emprestado de um quadro de Frida Kahlo que vocês viram na casa da pintora, no ano passado. Qual o significado desse quadro para vocês?
Fiquei impressionado com os incríveis contrastes que podem ser observados nesse quadro e em outras obras dela. Há todas essas cores vivas se destacando e, ao mesmo tempo, é possível perceber que a pintora estava representando algo muito obscuro. Me senti intensamente atraído pela forma com que ela representava o mundo, com muita luz e escuridão, precisamente como sempre existirá felicidade e tristeza, convivendo uma ao lado da outra. Essa é a forma como eu me sinto comigo mesmo.

Assim como em suas visitas anteriores, o Coldplay trouxe consigo a Oxfam, a qual, antes dos shows, denunciou os acordos comerciais entre a União Européia e os países subdesenvolvidos.

Vamos falar de assuntos pouco agradáveis… Paralelamente às críticas elogiosas, são também publicadas opiniões negativas, como a do periódico The Independent. Vocês leram o artigo?
Não, mas conheço o autor dela. Ele reprovou cada um de nossos discos. Felizmente, não há nada que obrigue alguém a escutar as nossas músicas. Há uma grande quantidade de pessoas que as detestam e outras ainda que acreditam serem ela super valorizadas. Certamente, não estão de todo equivocados sobre esse último ponto. Considerados individualmente, não somos músicos excepcionais, mas, em grupo, cria-se uma química inexplicável que supera isso.

Você não tem papas na língua quando são abordados alguns temas políticos. No entanto, nunca compôs nada do tipo.
Tenho tendência a cantar sobre temas universais, que são sempre os mesmos: a solidão, os sentimentos de insegurança, o lugar do indivíduo na sociedade… Ainda assim, há algumas canções novas nesse último álbum, Como Violet Hill e a própria Viva La Vida, que, nesse sentido, marcam um guinada. Tenho a sensação de que, nelas, ousei dizer o que penso, não somente o que sinto. Para mim, representam um passo muito importante que me fez sentir uma sensação de grande liberdade. Pessoalmente, essas músicas têm, de alguma forma, uma intenção política e social, apesar de não haver nelas nenhuma declaração explícita. [Mas], naturalmente, cada um tem o direito de interpretá-las como bem entenderem.

Quando você está compondo, o que dá mais trabalho, a melodia ou os versos? 
Não se pode separá-los. O que mais gosto é quando letra e melodia surgem ao mesmo tempo. Quando tenho os versos de uma canção, mas não há uma melodia subjacente, fico travado, sinto como se estivesse num beco sem saída. Há ocasiões em que não tenho confiança suficiente no que escrevo. É aí que entra a melodia, uma ajuda para contornar a dura realidade de que não sou Shakespeare!

Uma das coisas mais difíceis para qualquer artista que, como você, tenha alcançado um grau de fama e reconhecimento internacional é manter controlado o próprio ego. Como você faz para não se ficar convencido, se não o é?
Ouço discos dos Beatles, Radiohead e do Jay-Z. Porém, se ainda assim não consigo baixar a bola, sempre tenho o The Independent à disposição!

*A entrevista é encerrada aqui. Foram suprimidas aqui as considerações acerca do show “modesto” que ocorrera em Barcelona, uma das apresentações gratuitas antes que a turnê de fato tivesse início. A matéria original foi publicada em no dia 6 de setembro, antes dos dois shows na Espanha. Créditos: Coldplay Chile.

Baby, it’s a colourful world

6 Setembro, 2008 Deixe um comentário

Entrevista/biografia marcando a era Viva La Vida, no Coldplay.com, na recém inaugurada seção Post:

“O álbum foi movido por um anseio por sair do preto-e-branco e ganhar um colorido”, diz Chris Martin, vocalista do Coldplay. “Ou, se você preferir, decidimos deixar nosso jardim florescer um pouco mais revolto. A fera libertada de suas amarras”.

A despeito de descrições, é inegável o que representam as direções artísticas de “Viva La Vida Or Death And All His Friends” para os quatro amigos que, juntos, são conhecidos como Coldplay. “Acho que é nosso disco mais ousado e confiante”, afirma o baixista Guy Berryman. “Estávamos muito mais abertos a novas idéias e influências e com muito menos medo de experimentar”. Martin acrescenta: “Pode ser fácil deixar de lado as experiências se você teme o que as pessoas podem pensar, mas nos forçamos a não nos sentirmos assim”.

O resultado é um disco em que batidas vão de encontro ao som de um órgão que vai se avolumando (“Lost!”), onde o intervalo entre versos e refrão é preenchido com percussão e cordas norte-africanos deliciosamente propulsivos (“Yes”), onde ritmos do flamenco permeiam um conto de melancolia e angústia (“Cemeteries of London”), onde instrumentos de corda confundem-se em uma ode às glórias passadas (“Viva La Vida”). Tem som de Coldplay. Só que diferente.

“O ponto de partida do álbum foi escutar uma canção antiga e maravilhosa do Blur chamada ‘Sing (To Me)’ enquanto estávamos em turnê divulgando o ‘X&Y’, diz Martin sobre uma faixa percuciente e hipnotizante do primeiro álbum do Blur. “Lembro de estar ouvindo-a e pensar ‘Tá bom, precisamos progredir enquanto banda'”. A primeira música do novo álbum do Coldplay foi escrita logo no dia seguinte.

“Sou guiado por duas coisas”, Martin continua. “Uma é tentar racionalizar a existência. A outra é ouvir algo brilhante e tentar compor algo da mesma qualidade. Com esse álbum, fomos inspirados por músicas incríveis. Escutamos Rammstein e Tinariwen em seqüência e o resultado foi mais ou menos a seção central de ’42’. Para outra faixa, escutamos Marvin Gaye e Radiohead. Ou Jay-Z e The Golden Gate Trio. Ou My Blood Valentine e Gerschwin. Ou Delakota e Blonde Redhead. Não havia limitações”.

“Nós definitivamente expandimos nossos horizontes”, diz o guitarrista Jonny Buckland. No entanto, a ampliação de dimensões sonoras não ocorreu sob pena da eliminação de melodias que contribuiram na projeção do Coldplay como uma das bandas favoritas do mundo desde o lançamento de seu álbum de estréia, “Parachutes”, em 2000. “Viva” pode vir em um momento de experimentalismo para o Coldplay, mas suas dez faixas ainda são uma explosão de grandiosos refrões de elogio à vida. “Espero que sim”, afirma Buckland. “Nunca ficamos sem jeito por causa de melodias e nunca ficaremos”. “Nós ainda estamos obcecados com músicas que podem ser cantadas pelas multidões”, concorda Martin. “Só queremos apresentá-las de um jeito diferente”.

Com esse espírito, a banda decidiu logo no início do processo de gravação que “Viva” seria seu álbum mais curto. “Percebemos que não escutávamos um disco de uma vez só, de cabo a rabo havia tempos”, explica Buckland. “O único motivo é que as pessoas incluíam faixas demais”. “Assim, mesmo que isso significasse descartar canções que amamos”, continua Martin, “esse álbum tinha de terminar antes de um episódio de CSI acabar”. E, com efeito,  a banda conseguiu fazer com que as dez faixas somassem os 42 minutos pretendidos (porém, as faixas escondidas adicionais esticam a duração para 46 minutos).

Outra mudança é que a banda encontrou para si um quartel general permanente; uma antiga padaria escondida entre os becos anônimos de Londres, em frente ao conselho distrital do norte londrino. No local, eles ensaiavam, compunham, desenvolviam projetos gráficos ou simplesmente relaxavam (o jogo de dardos revelou-se particularmente popular). De acordo com Buckland: “É a primeira vez que temos um lugar decente para uma banda desde o tempo em que ensaiávamos em meu quarto na universidade, em 1999. Fez uma grande diferença”.

“The Bakery tem sido uma grande dádiva”, concorda Will Champion. “Podíamos ir lá todos os dias, sem sermos pressionados por prazos, e trabalhar na nossa música. Anteriormente, costumávamos pensar: ‘Temos uma porção de músicas, vamos para um estúdio grande e caro e começar a gravar. Depois, porém, acabávamos por descartar a maioria das músicas e tínhamos de começar tudo novamente porque não tínhamos ensaiado ou desenvolvido a música o suficiente. Com esse disco, passamos meses na Bakery antes de entrarmos num estúdio. Ficamos só ensaiando e tocando e gravando demos e praticando antes que as coisas ficassem muito boas. No fim, estávamos muito mais bem preparados para a gravação de verdade, muito da qual foi feita na Bakery mesmo”.

Desde o começo, a banda teve a companhia de dois produtores, Brian Eno e Markus Dravs. “Trabalhar conosco foi idéia do Brian”, diz Martin. “Com freqüência eu me encontrava com ele para tomar chá e tocar tabla machines e isso acabou resultando em um ano inteiro de produção. Posteriormente, Markus juntou-se a nós, apresentado por Win, do Arcade Fire, após ele ter trabalhado em ‘Neon Bible’. Win disse ‘Vocês deveriam trabalhar com esse cara porque ele realmente te põe em forma'”.

Eno e Dravs conciliaram seus talentos de sorte a configurar algo em torno de uma produção dos sonhos. “Ambos têm personalidades muito diferentes”, explica Guy, “eles de fato se completam”. Tal qual Win havia declarado, Dravs foi arduamente difícil de se agradar. “Ele nos fez trabalhar como cães”, relembra Jonny, com riso sombrio. “Tudo tinha de ser feito dentro dos padrões rigorosos dele. Ele realmente exigiu muito da gente como músicos, até que pudéssemos gravar a maior parte do álbum ao vivo”. E isso é precisamente o que eles fizeram. “Diria que uns 80% do que vocês ouvirem foi gravado por nós quatro, em um círculo, tocando juntos”, diz Martin. “Essa é uma forma um tanto peculiar de gravar hoje em dia, mas é a maior das diversões para uma banda”.

Eno, enquanto isso, cuidou da inspiração e confiança que o Coldplay precisava para desenvolver sua música. “Ele subvertou completamente a fórmula”, afirma Champion. “Ele fez com que mudássemos todo o nosso estilo de trabalhar e enxergar aonde isso tinha nos levado. O Brian tem essa incrível capacidade de desmistificar as músicas maravilhosas e fazê-las parecerem bem tangíveis. Não tememos experimentar nada”.

Isso tem um sentido bem amplo: seja ir até Barcelona para gravar em igrejas antigas ou chamar um hipnotizador à Bakery. “Foi um bom dia”, diz Champion. “Ele falou sobre esse processo de auto-relaxamento extremo e as possibilidades do que você pode fazer quando está num estado em que não limites para a sua imaginação. Depois, voltamos para o andar de baixo e tocamos. Havia esperanças de que conseguiríamos compor algum madrigal ou coisa que o valha!”

Infelizmente, isso não aconteceu, tampouco entrou na tracklisting o resultado musical, mas a banda continua achando que foi uma experiência válida. […] Sobre o evento, Champion nos conta: “Eu só apoiei o que Brian vinha dizendo havia tempos sobre não ter medo de experimentar coisas novas, que nunca havíamos tentado antes”.

“Brian trouxe tantas coisas para esse álbum”, concorda Martin. “Para começo de conversa, ele tocou [muitos instrumentos]. E trouxe vida, liberdade, impulso, distorção, energia, estranheza, insanidade, sensualidade, nerdice e ‘Roxyce’. Tudo isso. Ele é incrível”.

Outra presença crucial no estúdio para a gravação de “Viva” foi o amigo intímo e antigo empresário, Phil Harvey. Ele é a pessoa que você reconhecerá como o quinto membro do Coldplay, como consta no encarte que acompanha “Viva” e no segundo álbum da banda “A Rush Of Blood To The Head”, de 2002. Quando a banda gravou em 2005 o seu terceiro disco, “X&Y”, Harvey esteve ausente, morando na Austrália.

“No nosso último álbum, perdemos nosso editor e quinto membro porque ele estava algumas milhas longe demais”, diz Martin. “Algumas das músicas desse disco são boas, mas precisávamos de alguém dizendo relaxem, tirem isso, não se preocupem com isso. Phil é uma espécie de soberano entre nós”. “Ele é a maior diferença de todas desse disco, creio eu”, adiciona Buckland. “Sentimos tanto a sua falta no último. Ele é o cara sábio entre a gente, aquele que nos escuta e opina, tudo. É incrível como tudo fica mais fácil quando ele está por perto”.

Isso não significa, porém, que a gravação de “Viva” tenha sido isenta de problemas. O Coldplay sempre deu o seu máximo na composição de seus discos e “Viva” não foi exceção. “Na verdade, foi mais alucinante do que nunca”, admite Martin. “Acho que, se você quer fazer alguma coisa boa, deve sofrer por ela. E nós sentimos todas as emoções que se pode imaginar. Menos preguiça. Não passamos por isso, na verdade. Mas por todo o resto. E creio que isso possa ser apreendido no produto final”.

“Viva La Vida or Death And All His Friends” empresta seu título dos extremos de emoção que o impulsionaram. Este é um álbum caracterizado por perda e incerteza, viagem e tempo, felicidade e arrependimento. “Não estou certo se é uma síndrome de bipolaridades, mas nós certamente temos algo se passando em nossas mentes e que tanto alegra quanto desanima”, diz Martin. “Infelizmente, é incontrolável. Compus essas canções dominado por ambas emoções; elas estão em toda parte. Não houve planejamento poético, elas simplesmente surgiram dessa forma. Da mesma forma, são brados de guerra. Sempre há amor, satisfação e alegria em nossas músicas”.

Tal aspecto é transparente no ímpeto de “Lovers In Japan” ou na bem-aventurança doce e carnal de “Strawberry Swing”. Contudo, é igualmente claro na esperança insistente de uma faixa como “42″ (”There must be something more” ou no furor decorrente do clímax do [refrão] coletivo de “Death And All His Friends”. “Não vamos perder a vontade de sermos otimistas”, Martin garante.

 

Quais, então, as ambições da banda com “Viva”? “Queria que esse álbum fosse merecedor da posição a que fomos comfiados”, responde Martin. “E não há dúvida de que, no final desse processo, somos uma banda melhor; independentemente do que façam do disco, quando tocarmos ao vivo, vamos fazer o deixar o palco em chamas. Mas, no fim das contas, não importa o quão cerebral você tenta fazê-lo, o álbum está aí para entreter as pessoas; oferecer 42 minutos de deleite, com dez boas músicas e cada uma vai ser a canção favorita de alguém. Estou com grandes expectativas de que tenhamos alcançado isso”.

Long live the king [Parte 2/2]

22 Agosto, 2008 Deixe um comentário

Seguindo o bate-papo com Guy, Chris responde as perguntas da revista Clash:

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Em seqüência, o gracioso vocalista e ativista incansável, CHRIS MARTIN. Geralmente um paradigma de auto-confiança, no dia em que a Clash conversa com ele, Chris está atipicamente desalentado e precisando de um pouco de afirmação…

O mundo inteiro está na espera pelo álbum. Qual é a sensação de estar no centro das atenções?
CHRIS: Qual a sensação? Vou ser honesto com você, cara, é completamente aterrador e eu gostaria de me esconder em um buraco por alguns meses. Esse não é o tipo de resposta que eu devia dar, mas você me pegou numa manhã em que eu estou tipo “Dane-se, não agüento mais!” (risos). Nenhuma série de músicas pode resistir à tamanha pressão. Para cada pessoa que diz que ama [nossa música], há outra que odeia. Sinto como se estivesse em um turbilhão permanente e mal posso esperar para o álbum ser lançado, de modo que aquele adolescente de quinze anos possa finalmente avaliá-lo.

Sucesso descomunal limita o experimentalismo de cada álbum ou reforça a sua confiança?
CHRIS: Vamos ver. A questão é que, quando você tem muito sucesso, há uma grande proporção de pessoas que não querem que você mude e uma proporção ainda maior de pessoas que realmente quer que você mude. Acho que, no último álbum, nos sentimos pressionados a não fazer mudanças, então não as exploramos tanto assim. Dessa forma, adquirimos nosso próprio espaço, chamado The Bakery [estúdio no norte londrino], aonde fomos com Brian [Eno] e Markus [Dravs, co-produtor] e sentimos liberdade. Definitivamente não usamos os velhos truques, o que, por sua própria natureza, é muito arriscado, penso eu.

Como essa liberdade influiu na música?
CHRIS: Pelo simples motivo de se poder ir até lá, pela manhã e não sentir pressão alguma, entende? Se você quiser passar três horas tocando uma flauta-de- pã, você pode. No final, você pode decidir: “Vamos usar isso; não vamos usar isso”. Por outro lado, não pode mais ir [ao estúdio] e perguntar “Qual é a balada com piano de hoje?”. Entende o que quero dizer?.

Há um verso em “Lovers In Japan” que diz “They’re turning my head out/To see what I’m all about”. É uma referência ao fato de você sempre ter de se justificar em entrevistas?
CHRIS: Pode ser. Nunca achei que valesse a pena usar nossas músicas como aulas de análise ou coisa do tipo; elas podem significar o que vocês quiserem. Não quero parecer uma prostituta de quinta categoria, mas pode me dar o nome que quiser.

Em “Viva La Vida”, você pergunta “Who would ever want to be king?” Isso soa como um clamor por compaixão, feito do pedastal em que você foi colocado. É difícil estar à altura das expectativas em torno de você?
CHRIS: Não, não. A música, na verdade, é sobre estar no topo do poder e estragar tudo. Dessa forma, ela é aplicável a um relacionamento ou mesmo a estar no lugar de Vladimir Putin. Mas, está certo, também serve para falar da posição em que a banda está, já que duas perspectivas podem ser assumidas: a do rei prestes a ser linchado e a do povo prestes a linchá-lo. Assim, é os dois lados da moeda.

Há uma quantidade considerável de versos obscuros nesse álbum, assim como ocorreu no passado -canções sobre morte e solidão. O que motivou essa temática?
CHRIS: Tenho 31 anos agora, estou ficando mais velho, então esse tipo de assunto tem a tendência de surgir. Não, acho que mais ou menos no ano passado, todos nós sofremos perdas e vivemos situações ruins; isso acontece com todo mundo, mas no final das contas, o que tentamos fazer é enfrentar de cabeça erguida e não em desespero. É definitivamente nossa intenção. Ignorar esse aspecto da vida seria pintar um quadro equivocadamente.

Há fantasmas e cemitérios vagando em torno do álbum. O que eles simbolizam para você?
CHRIS: Acredita-se que fantasmas sejam pessoas que não encontraram seu refúgio final, certo? E uma das imagens que estavam em minha cabeça era… Só pensamos que seria peculiar passar toda a sua vida tentando ir pro Céu e, quando você morre, chega aos portões só para dizerem que você não conseguiu. (risos) Isso sempre me perturbou, não estar na lista de convidados.

Você já teve experiências com um fantasma?
CHRIS: Boa pergunta. Tive uma no País de Gales. Estava dormindo em um hotel, quando acordei e havia esse tipo de… Não consigo explicar… Ar quente soprando na ponta da cama.

Tem certeza que não era o Jonny?
CHRIS: Não, não era o Jonny soltando um pum. No entanto, eu acredito totalmente nessas coisas.

Você acredita que haja essas pessoas desgarradas à nossa volta, o tempo todo?
CHRIS: Acredito, na verdade. Acho que sejam pessoas procurando por algo.

Muito dessa escuridão vai de encontro a uma série de referências à manhã ou ao despertar. O que a manhã simboliza? Nascer novamente, uma segunda chance?
CHRIS: Sim, claro. Mesmo na maioria dos filmes, assim que a manhã chega nos filmes de terror, é mais ou menos assim [exclamação de alívio], todos podem respirar mais tranqüilos: “Tá bom, podemos começar de novo”. Concordo plenamente com você.

O título do álbum, “Viva La Vida”, é um lema que vocês sempre adotaram ou que vocês estão tentando seguir?
CHRIS: É algo que sempre tentamos adotar, se me permite juntar as duas perguntas. A fonte é… Há um quadro da Frida Kahlo, um pintora mexicana, que teve uma vida extraordinária e fez esses quadros incrivelmente coloridos, mas, geralmente, com algum tema doido por trás; ainda assim, eles eram sempre apresentados vivazmente. Ele tem um quadro chamado
Viva La Vida. A sua casa é hoje um museu, aonde nós fomos ano passado e vimos essa pintura e eu fiquei “Temos de intitular nosso álbum com esse nome”. Porque, apesar de remeter a Ricky Martin, é a imagem que mostra acuradamente a direção que estamos tomando.

Vocês foram acusados de serem depressivos, de a sua música ser desalentadora. [O título “Viva La Vida”] seria uma declaração aberta do contrário?
CHRIS: É, talvez… Demos ao álbum um título e meio; a outra metade é “Death And All His Friends”. Foi uma espécie de… Não um gracejo, mas achamos que seria legal dar ao álbum dois títulos; assim, as pessoas poderiam escolher se elas acham que é depressivo ou edificante. Uma garota veio falar comigo dia desses e disse: “Eu gosto de ‘Yellow’, mas o resto me faz querer cortar os pulsos”. Respondi: “Não, você deve escutá-las depois de ter feito isso e se sentir melhor!”. Às, você não consegue se expressar direito, às vezes, não. Acho que essa alcunha é mais uma mensagem para nós do que para qualquer outra pessoa.

Na capa do álbum está “A Liberdade Guiando o Povo”, do Delacroix, celebrando a Revolução Francesa. Se esse disco pudesse induzir o público a tomar alguma atitude, qual você queria que fosse?
CHRIS: Essa é uma pergunta fantástica. Sempre acreditamos que o espírito do rock’n’roll não é usar calças justas e usar grandes quantidades de cocaína; é seguir o seu livre-pensamento. Creio que, especialmente agora, seja difícil impor-se sozinho e dizer o que se pensa. Assim, queria poder aplicar isso à minha própria vida; simplesmente orgulhar-se do que você pensa e estar sempre pronto para aprender e assim por diante; sempre esteja preparado para arriscar, sem medo de ser arrasado. Na minha própria vida, acho que é um desafio diário ter tal ação porque sabemos que vamos aquecer os ânimos. Engraçado, ontem estava lendo sobre Thomas Edison, esse grande inventor que viveu no século XIX ou XX. Achavam que ele era rídiculo, mas ele sempre seguia em frente e acreditava que ele poderia inventar uma lâmpada apropriada. Pessoas assim são realmente inspiradoras porque elas queriam muito algo e simplesmente correram atrás. Isso é o que eu gostaria de experimentar.

Vocês se juntaram à revolução tecnológica quando lançaram “Violet Hill” primeiro como download. Em algum momento foi considerado dar um passo a mais, seguindo o caminho do Radiohead?
CHRIS: Somos sempre, infelizmente, limitados pelo fato de que temos um contrato, então nós temos tanta liberdade assim, o que é meio bizarro, ao passo que o contrato de outras bandas já acabou e elas seguiram seu rumo por conta própria. Nós ainda temos que, de certa forma, fazer o que nos mandam. Desse modo, o máximo que pudermos… Há algumas faixas no álbum que são meio que secretas, então elas são basicamente grátis, mas o todo, de modo geral, não é exatamente nossa responsabilidade.

Bandas menores criticaram o Radiohead por acreditarem que a banda teria estabelecido um parâmetro a que poderiam corresponder somente os grupos que podem sobreviver sem vender álbuns. Como uma das únicas bandas que podem se equiparar ao Radiohead, vocês acham que disponibilizar as músicas gratuitamente é um mau exemplo?
CHRIS: Bom… Mm… É um dilema, não é? Em um mundo ideal, se você pode fazer isso, você deve. Muitos não podem fazer isso de graça, então os ouvintes têm quase a obrigação de… Não sei, há mais ou menos uma necessidade de fazer um pronunciamento quando se lança um disco: “Olha, vocês realmente precisam pagar por esse aqui” ou “Não precisamos que vocês gastem nesse aqui porque nosso último disco foi The Joshua Tree’“. Acho que isso deveria ser especificado a cada lançamento. O Radiohead está nessa posição de sorte, ao passo que The Ting Tings não. Assim, eu pessoalmente acredito que todos deveriam pagar pelo disco destes.

Considerando que os rumores da Internet sobre a indústria fonográfica continuam emergindo, você está preocupado com o estado da sua gravadora, a EMI?
CHRIS: Não. Acho que estamos vivendo um momento de transição na música; qual é a reação à ela, como é ouvida, como chega ao público. É como no início do século passado, quando os automóveis estavam surgindo, enquanto carros puxados por cavalos começavam a perder a espaço. Acho que estamos numa situação musicalmente correlata. Não finjo que sei quais são as respostas. Quero dizer, trabalhamos com pessoas da gravadora que realmente adoramos. Aconteça o que acontecer, sempre vamos precisar da ajuda de algumas pessoas, seja dentro de uma gravadora, seja fora. O que sabemos é que certamente há pessoas de que gostamos e precisamos muito.

Qual é a sensação de saber que a música de vocês tem uma grande amplitude, alcançando desde antigas até novas gerações?
CHRIS: Sério, cara, eu não acredito nisso. Na minha mente, eu sinto como se não tivéssemos feito nada ainda. Isso é o que me move: a sensação é de que nem ao menos começamos. Então, eu nunca penso nisso; é meio bobo, até, mas é de fato o modo como me sinto: “Cara, eu faço parte do Coldplay!”. Eu acordo de manhã e penso “Cara, você tem de fazer alguma coisa para conseguir um contrato!”. Ainda tenho essa mentalidade. Espero poder superá-la um dia, sossegado, mas isso não aconteceu ainda.

Vocês não vão tocar em nenhum festival nesse ano, mas você está planejando assistir a algum?
CHRIS: A única apresentação que eu não queria perder por nada era a do Jay-Z, no Glastombury. Mas estamos nos Estados Unidos, então não podemos ir de qualquer jeito, o que é muito frustrante.

Como você reage aos comentários sobre Jay-Z tocando no Glasto? Ele é seu amigo, não é?
CHRIS: Você está insinuando que sou tendencioso?

Er… estou.
CHRIS: Sou muito tendencioso. Porém, como ele é possivelmente o homem mais talentoso do mundo, não me preocupo. Acho que é uma das melhoras que alguém já teve.

Então você não concorda com o comentário de Noel Gallagher sobre Glasto ser apenas para guitarras?
CHRIS: Não, eu não (risos). Adoro o Noel, mas isso foi algo estúpido a se dizer.

Ao colocar o pé na estrada, vocês ingressam em um turbilhão de dois anos. Como você se prepara para a jornada?
CHRIS: Vamos esperar para ver. Se ninguém gostar do álbum, a turnê não vai ser longa, mas, se gostarem vamos deixá-la acontecer.

Acho que é mais provável a segunda hipótese se concretizar.
CHRIS: Bom, vamos ver, cara. Não me sinto muito seguro em relação a isso no momento, mas ontem sim. Talvez se nós continuássemos a conversa amanhã? (risos) Acho que nós dois temos de conversar sobre isso por mais ou menos um mês até termos o quadro completo. Não queremos um turnê demasiadamente longa porque alguns da banda começam a enlouquecer e isso não é fácil para se lidar.

Bom, você tem fama de ser um cara sóbrio e equilibrado…
CHRIS: Sim, mas eu sou viciado em pornô, então é uma compensação.

[…]

Aonde o Coldplay pode chegar e o que o Coldplay pode fazer que nunca tenha feito?
CHRIS: Aonde podemos chegar? Podemos tentar e ficarmos melhores.

Em um disco ou no palco?
CHRIS: Em um disco e no palco. No fim das contas, tentamos cumprir um serviço. Toda essa tentativa de parecer legal e tudo o mais à parte, o que de fato queremos é que as pessoas que compram nosso disco ou vêm aos nossos shows tenham uma boa experiência e sintam algo. Essa é uma das razões por que eu gosto das mudanças na indústria -tudo é um pouco mais direto. Se pudesse, eu simplesmente faria com que alguém que estivesse voltando da escola escutasse algumas canções, fazendo com que essa rotina seja menos aborrecida. O que podemos fazer nesse aspecto? Fazer algo para que viagens de ônibus sejam realmente emocionantes.

Memórias de um Roadie

16 Agosto, 2008 3 comentários

Site oficial, 15 de agosto:

Matt McGinn foi técnico de guitarra de Jonny por oito anos. Recentemente, ele escreveu um livro, Roadie, documentando os seus dias com o Coldplay. Achamos que você iria gostar de ler um divertido excerto, explicando como Matt conheceu a banda. (Ah, só para registrar, Matt não é Roadie#42)

Um Roadie conhece a banda

Quando crianças, nos anos 70, todos costumávamos sussurrar as palavras “O Ano 2000”, como se, quando o novo século chegasse, o sol fosse explodir e a Terra fosse mudar as suas cores/sair do eixo/molhar as calças, etc. No entanto, ele de fato chegou, não tenho um fio de cabelo há uns cinco anos, então, até onde sei, a grande reviravolta já teve lugar e absolutamente nada de extraordinário aconteceu. O bug do milênio? Bah! Estou careca de saber dessa história!

Engraçado como as coisas se sucedem, não? Em uma fatídica noite desses famigerados e malfadados doze meses, meu velho amigo roadie Jeff estava me dando uma carona para casa após mais um showzinho mal pago de esquina quando, subitamente, tivemos um conversa que se desenrolou mais ou menos assim:

“Então, Matt, que ‘cê vai fazer amanhã?”
“Nada, cara, é meu dia de folga. Por quê?”
“Tá afim de me ajudar com um show?”
“Er… Não sei. Estou muito cansado. Quem vai tocar?”
“Coldplay.”
“Como em Lisa Stanfield?”
“Não, imbecil, isso é Cold-bloody-Cut.”
“Ah, tá. Foi mal… Enfim, quem são eles?”
“Uma banda novinha em folha. Fecharam um contrato com a Parlophone. Vão abrir um show pro Embrace. Vamos lá, vai render um bom dinheiro. E, além disso, vou estar de ressaca, então quero que você dirija.”

Não queria ir. Estava exausto após tantos shows e estava louco por um descanso. Ainda assim, o Jeff é quem havia arranjado o meu primeiro emprego de roadie, em 96 com o Kenickie, uma banda indie de garotas . Eu meio que devia uma para ele.

“OK, desisto -suspirei- Quando e onde?”

Foi um desses momentos que parecem efêmeros, mas, quando os rememoramos, nos damos conta que os Deuses do Rock interferiram e deram à sua vida um rumo totalmente inesperado.

Nos encontramos na manhã seguinte no Matt Snowball, o que a) um nome verdadeiro, b) um armazém que também presta serviços, no norte de Londres. Como havia chegado cedo, fui tomar chá e conversei com a equipe, um pouco nervoso, como sempre fico quando conheço novas pessoas, mas sem a menor suspeita do quanto minha mudaria dali em diante.

Jeff, mantendo a sua palavra, chegou em condições deploráveis. Ele havia passado a noite bebendo com malucos do interior do sul inglês e mal podia falar, mas não havia mesmo muito tempo para conversar, já que, nesse meio tempo, uma van havia chegado, trazendo uns rapazolas que se apresentaram como Coldplay.

“Cabelo e roupas horríveis”, pensei.

Um deles ostentava um discutível corte de cabelo ao estilo de Paul Nicholas e aparentava ser o líder, então, pensei por um segundo, antes de perguntar:

“Qual a história por trás do nome da banda, então?”
“Bom -ele respondeu, me fitando, dando aquele sorrizinho desconcertante à la Alan Patridge que, desde então, me seguiu por todo o globo-, é o nome de uma brisa especial que sopra entre as montanhas!”
“O que, como a palavra Keanu? -disse eu, antes de perceber que era uma piada e que todos estavam rindo às minhas custas.”

Sujeitinhos prepotentes. Gostei deles.

Algumas coisas dessa primeira jornada ao norte ficaram realmente registradas, particularmente a imagem de Chris, correndo de um lado para o outro, chutando uma bola no estacionamento de um posto de gasolina. Ele parecia um garoto, cheio de energia e comicidade, como um aura imediatamente contagiante, sempre elevada ao grau mais alto. O cara fazia todos da equipe caírem na gargalhada com sua atitude tão notadamente cortês, ao ponto de me agradecer por jogar futebol com ele. Guy, em contraste parecia taciturno à primeira vista, mas logo se revelou jovial e amigável, também. Will, que aparentava ser sério e impassível, logo deixou claro que podia converter invisibilidade em carisma, imperceptível e rapidamente. E Jonny, o qual tinha -e tem- as feições mais amigáveis que os outros juntos, se destacou por achar engraçadas a maioria das coisas que eu dizia.

Após algumas horas na estrada, finalmente chegamos ao encarquilhado e fabuloso Empress Ballroom, em Blackpool. Os castiçais e ornamentos cintilantes de suas paredes velhas formavam um belo plano de fundo para o ensaio da curta perfórmance de quem vai abrir um show; não havia melhor lugar para ouvir uma banda pela primeira vez e já naquele momento, estava claro que eles estava obstinada a não decepcionar. Freqüentemente me perguntam se eu realmente gosto do Coldplay e tenho de admitir que, tirando uma ou outra música,  sempre adorei, não importando se isso soa piegas ou esquisito. Mas, o fato é que não posso ser mais objetivo quanto fui no primeiro dia, quando eu mal os conhecia e eles eram ex-universitários vestindo calças bregas.

A música que eles usaram para a passagem de som (e, conseqüentemente, a primeira música deles que eu ouvi) já está quase na história e está prestes a figurar entre os maiores clássicos de todos os tempos, como Brown Sugar ou You Only Live Twice, que todos conhecem, antes mesmo de os cantores abrirem a boca. De qualquer forma, eu dificilmente esquecerei Chris tocando a melancólica introdução acústica, seguida por címbalo/guitarra e estupefante verso YawwwSKEEEN”. Foi estranho e, de algum modo, perfeito.

A música e a perfórmance (era difícil não ficar acompanhando o Chris já naquela época) me deixaram absolutamente boquiaberto. Como eles pareciam caras realmente legais, resolvi dar um encorajamento de roadie.

Longe de ser um poeta, chamei Chris de canto e disse:

“Yellow é do c******, hein?”

A decorrente explosão de puro regozijo selou nossa amizade perpetuamente e deu início a uma série de paródias que eu não conseguiria deixar para trás. Gesticulando energicamente e chamando a atenção de qualquer pessoa que estivesse dentro de um raio de meia milha, meu novo chefe e amigo registrou a cena com um:

“Ei, gente, ouviram o que o Matt acabou de dizer? -uma acurada imitação do sotaque e trejeitos dos irmãos Mitchell- ‘YELLAW É DO C******, HEIN?'”

A reposta foi uma gargalhada geral e aprovação em igual medida e, desse episódio em diante, querendo ou não, eu passei a fazer parte do time. Não havia volta.

Pouco tempo depois dessa primeira e decisiva jornada, Jeff ligou para dizer que a banda precisava de uma ajuda em uma curta turnê junto com o Muse, o que se revelou ser a última que fizemos em uma van… Bom, até esse instante! Naquela época, o único técnico, digo, roadie do Coldplay -um sujeito ruivo e esquisito chamado Hoppy- estava ocupado na América e será que poderia substituí-lo? Claro que eu poderia. Já conhecia Hoppy -havíamos nos conhecido em uma turnê nos velhos tempos de Kenickie e nos dávamos muito bem, então ele realmente confiou que não havia problemas em ficar em seu lugar.

O Muse arrasou naquela turnê e estava começando a fazer sucesso comercial também, então foi estimulante desde o começo. Entradas esgotadas, shows na Pyramid de vidro e aço, em Portsmouth, no ambiente rubro e levemente diabólico da Apollo, em Manchester, passaram voando, carregando consigo uma tempesatade inovadora e vigorosa, ofuscadas por viagens insanas de ônibus em colinas, vales e charnecas enevoadas. A famosa Snake Pass, por exemplo, em um dia límpido, é um atalho bem configurado na área rural, correndo através dos Peninos, onde muros baixos de pedra, curvas fechadas e animais selvagens se combinam em uma experiência que James Herriott teria gostado. Mas, ei, pelo amor de Deus, não faça isso em uma vã de turnê em meio à bruma. Vai levar um dia inteiro, todos vão se c**** de medo e vão perder a passagem de som, também!

Algumas discussões bem importantes aconteceram nesse veículo, o qual, para os não-iniciados, chamamos de “splitter”, basicamente uma van modificada, modelada para serem incluídas mais janelas, antigos assentos de avião e uma mesa atrás do banco do motorista, bem como um espaço para o equipamento de show e bagagem, no fundo. Não há muito escopo, escapatória ou espaço privado; o sangue pode subir à cabeça e as pessoas podem facilmente descobrir quais são suas diferenças (uma boa prévia para o avião particular, rapazes). Chris e Guy, por exemplo, podem, às vezes, ter uma aguda divergência de opiniões, o que pode se converter em uma cena fremente, com rapidez, tão logo os dois ficam cara a cara no fundo estreito do mini-ônibus/Learjet.

“Por que você quer chamar o álbum de Parachutes?”
“Você não gosta desse título?”
“Bom, não.”
“Por que não?”
“Porque é uma droga.”
“Nem *******! Por que estão sendo tão negativista?”

E assim por diante…

Lembro disso, contudo, como um período de felicidade e concentração em toda a sua extensão, sendo o único motivo de apreensão o hábito de Jeff assistir a filmes na TV às suas costas, enquanto estava ao volante. Com freqüência, quando estávamos vidrados com uma perseguição com Steve McQueen, em Bullit, uma guinada repentina nos avisaria que estávamos seriamente em apuros. Gritos vociferantes de “JEFF! PARE DE OLHAR PARA A PORCARIA DA TEVÊ!” geralmente dariam conta do recado. Até que isso se repetisse, é claro. Que baderna!

Enfim, a equipe do Muse nos tratou muito bem e os integrantes da banda não poderiam ter sido mais gentis, o que o fez trabalho muito prazeroso. Outros teriam muito bem usado o grupo que abrisse seus shows como motivo de troça, mas para dizer a verdade, Jonny, Chris, Guy e Will enfrentaram a multidão com a avidez e confiança aparente de James Bond ou Errol Flynn, porém, com mais modos. Na maioria das noites, no meio da apresentação, cheio de auto-confiança e sagacidade, Chris se dirigia à platéia e dizia algo assim:

“Sabe, não quero parecer metido, mas vocês realmente deveriam aproveitar porque ano que vem vamos tocar em Wembley.”

Mais metido impossível, mas isso de fato soava como realidade e, de algum modo, bancando o palhaço e o rapsodo concomitantemente, ele conseguia dar um jeito. As pessoas começaram a simpatizar com ele e, de um modo ou de outro, ele e o restante do Coldplay cativaram o público de tal modo que se poderia perdoá-los por quase tudo.

Até pelo cabelo e pelas calças!

Imagem ilustrativa | Coldplaying.com

Viva La Vida: “Promo Interview” [Parte final]

30 Julho, 2008 1 comentário

Penúltima faixa: Death And All His Friends.

CHRIS: Como eu havia dito, as últimas faixas são as positivas, coroando o final e a mensagem surpreendente do álbum, ao final de Death And All His Friends, é como um brado, um reconhecimento de todos os nossos esforços, querendo dizer “Bem, vamos superar isso”.
GUY: Brian foi o maior defensor dessa música. Quando estávamos trabalhando nela, ele imediatamente interveio e disse “Temos de terminar essa! Temos de terminar essa!”. A desenvolvemos por um certo período, mas, depois, a deixamos de lado, até que a ressuscitamos novamente. Lembro que a gravamos de uma vez só e escolhemos as melhores partes, sem muita paranóia.
WILL: A não ser no comecinho, com apenas o Chris e o Jonny, com piano, guitarra e vocais; o título costumava ser
“School” [?] e,  então, ocorreu uma espécie de troca com outra música chamada Rainy Day. […] Achamos que [seu] começo era adorável, então resolvemos misturar as duas coisas, o que funcionou muito bem. Isso foi em duas sessões, não do começo ao fim ao porque não somos muito bons nisso.
CHRIS: Algumas partes foram gravadas em Barcelona. Foi gravada em países diferentes. E uma parte foi feita oito meses antes da outra. […].

A faixa final é The Escapist.

CHRIS: The Escapist foi escrita para um filme por uma outra pessoa, estamos cantando a música de uma outra pessoa. Acredito que é importante haver compositores diferentes em um álbum […]. Trabalhamos com Jon Hopkins, um jovem mago da música apresentado pelo Brian, com quem fizemos alguns trabalhos. Ele tocou para gente uma composição dele (não sei o nome dela) e perguntamos: “Podemos usar isso”, ao que ele respondeu “Por uma taxa”. Ele criou essa música e achamos que era correto começar e concluir nosso álbum com ela.
WILL: Jon foi alguém que Brian trouxe para nos ajudar com algumas sonoridades e com algumas partes com piano. Ele tocou para nós uma música de autoria dele e, no ato, a achamos incrível; durava uns 20 minutos e não tinha nenhum vocal. Escutamos várias vezes seguidas, então Chris quis adicionar uma parte vocal e perguntou se Jon poderia encaixá-la. Ele foi muito gentil e consentiu. Depois, uma produtora de filmes nos procurou porque queria usar uma de nossas músicas novas para a trilha de um filme chamado The Escapist, parecido com Prison Break. E se ajustou perfeitamente ao seu final. É algo que nunca tivemos em nosso álbum, tocar uma música que 99% não foi feita por nós, o que é positivo: começar a partir do trabalho de outra pessoa sempre vai te levar a um resultado diferente.

Certo. Qual o verso do álbum de que vocês mais gostam?

WILL: Um que está no começo da canção Viva La Vida. São muitos versos, na verdade, mas “Sweep the streets I used to own” soam bastante evocativas para mim. Encerra um tanto de melancolia, mas acho que é um dos versos que o Chris esc… interpreta melhor.
CHRIS: Igualmente, remete aos tempos em que Jonny e eu erámos faxineiros no prédio em que morávamos […]. Podia ter sido “Quando eu costumava varrer os corredores durante o semestre”, mas isso não chamaria tanto a atenção.
GUY: Versos freqüentemente ganham sentidos diferentes em épocas diferentes, então, em seis meses, eu posso acabar escolhendo alguma que tinha ignorando antes, mas que, no momento, vai fazer todo o sentido para mim. É muito difícil escolher, mas nesse exato instante, eu gostaria de falar em Chinese Sleep Chant, porque é bem distintiva e mal se podem ouvir que está sendo cantado, o que deixa aberto para interpretações, você tem de simplesmente sacar o seu tom […]. Pode ser o que você quiser.
JONNY: Meu trecho favorito é o começo de Violet Hill, já que ele uniu a nossa banda. Chris a escreveu em…
CHRIS: A escrevemos em mil, novecento e noventa e sete. E as outras 50 linhas vieram em dois mil e sete. Não tenho uma opinião sobre isso. Acho que temos versos bons, melhores, em algumas canções, mas tenho uma preferida.

Com esse álbum, vocês queriam se esforçar mas enquanto banda. Vocês acham que conseguiram?

CHRIS: Diria que Guy, eu e Jonny estamos no ápice de nossas performances, mas algumas pessoas já devem estar acostumadas a isso. A percussão do Will, no entanto, está duas melhor do que ele ou qualquer pessoa já conseguiu e é isso que salva nosso álbum inteiro. Você pode escutar nosso álbum puramente pela bateria porque ela está excelente. E posso dizer porque não toco esse instrumento. Falando de ritmo, está duas vezes melhor do que já estivemos.

Já falando das performances ao vivo, vocês agora têm um vasto material para escolherem. Ou não. Will?

WILL: Quanto mais músicas você tem, quanto mais material você tem para escolher, fica mais difícil ser rigoroso e manter o controle de qualidade realmente alto; é muito fácil simplesmente escolher qualquer coisa. Ainda assim, estou ansioso, já que é ótimo escolher as músicas que você decide não tocar.
CHRIS: […] Quando nossa setlist for composta pelo Will e ele eliminar todas as que ele não quiser tocar, vamos ficar apenas com quatro músicas.

Viva La Vida: “Promo Interview” [Parte 5]

28 Julho, 2008 Deixe um comentário

Vamos seguir explorando as faixas de seu álbum. A próxima é Viva La Vida. A Revolução!

CHRIS: Assim como “Yes”, em “Viva La Vida” há uma tentativa de incorporar outra personagem. Todo o conceito por trás do projeto de arte do álbum vem dessa música, junto a “Lost!”, o outro alicerce do disco. É a música que estamos mais ansiosos por tocar ao vivo porque o final é muito bom para se cantar junto. Não sei se depois de ter lido alguma coisa sobre o assunto ou… Pode ter sido após assistir a “The Scarlet Pimpernel”. Não consigo lembrar, mas a idéia é um rei que realmente agiu mal. E não precisa ficar horas pensando em quem deve ser, mas há sempre líderes que ficam com o comando e, no final, percebem “Oh, não fiz nada muito digno” enquanto a multidão invade o castelo. Essa música é sobre esse momento, os dez minutos finais que antecedem a revolução já batendo à porta […]. Quando penso nessa canção, vejo uma grande porta sendo derrubada.
GUY: Não foi fácil fazer com que as músicas funcionassem do jeito certo. Houve muitos caminhos distintos a serem percorridos, mas estamos realmente contentes com o lugar em que chegamos.
WILL: Falando em vocais, “Viva La Vida” é minha preferida; é a melhor performance do Chris, falando de versos, são tão evocativos. O espírito do álbum está nessa música em particular, nesses vocais. Queríamos tomar certas decisões com bravura, como não querer parecer com o antigo Coldplay ou coisa que o valha, tentar não emular o que já havíamos feito. Mas, infelizmente, havia alguns traços nessa canção que pareciam um pouco conservadoras e pensamos que a melhor maneira de fazê-la se destacar era retirar todos os instrumentos, deixando apenas o piano, os instrumentos de corda, percussão e um sino, não tem muito mais que isso, para que “Viva La Vida” conseguisse respirar.

Violet Hill, o primeiro single.

CHRIS: “Violet Hill” é o Jonny entrando em ação, em sua melhor forma, penso eu. Porque todo mundo sabe o que o vocalista do Coldplay faz, como são os acordes, mas me incomoda o fato de que Jonny nunca recebeu devidamente os créditos como acho que deveria. Um dos aspectos de que mais gosto nessa música é que o guitarrista realmente se destaca, como um “herói da guitarra”.
JONNY: Tenho um velho sintetizador de guitarra [guitar sythesizer], que provavelmente foi utilizado por Brian May, por volta de 1972. E o som é tão estrondoso […].
CHRIS: É a nossa primeira música de protesto. Estou sempre furioso, então a sonoridade dos vocais também se caracteriza como tal. É sobre estar subordinado a alguém que você não gosta de forma alguma, um festival de idiotas. Também há outra música sobre o anseio por uma escapatória: se você me ama, deixe-me saber; se você me ama, vamos dar o fora daqui, mas esse festival de idiotas também pode estar dizendo isso. Quem sabe? Eu não. [Os versos] simplesmente surgiram assim.
WILL: Acho que “Violet Hill” é uma boa ilustração de uma área, uma de muitas cores. Com sorte, os ouvintes vão gostar do fato de que exploramos dimensões que nunca visitamos, o que pode estabelecer um parâmetro para o álbum. Creio que há profundidade e tonalidades que não eram características nossas.
CHRIS: Sempre tivemos consciência que queríamos essa música como a primeira que ouvissem. O modo como ela é designada e categorizada, diríamos, é bem distinto. Não gostamos de toda essa história de singles; é simplesmente algo que queremos oferecer [às pessoas], é nossa primeira tentativa disso. De qualquer forma, todos concordamos que “Violet Hill” deveria ser a primeira música que conheceriam porque é realmente uma “Jonnyfest”, um bom trabalho com a guitarra. É reflexo de nossa nova mentalidade, não necessariamente de nossa nova sonoridade porque experimentamos muitas. Ainda assim, é um indicativo de que estamos nos encaminhando para novas áreas.

A próxima faixa é Strawberry Swing. Jonny?

JONNY: “Strawberry Swing” é uma música que você tocou para mim anos atrás, não?
CHRIS: Não…
JONNY: Há alguns anos, com certeza.
CHRIS: Foi bem no início, quando começamos a compor.
JONNY: Mas nós esquecemos dela.
CHRIS: Bom, eu não me esqueci.
JONNY: Nós meio que deixamos essa música de lado, nos dedicamos às outras.
CHRIS: Will não tinha gostado, foi isso. Mas ele mudou de idéia, então pudemos desenvolvê-la.
WILL: Eu tenho essa péssima reputação de estraga-prazeres. Porém, minha opinião tem se revelado errônea muitas vezes. O que acontece, na verdade, é que não consigo ver como estou contribuindo. E esse foi o caso para “Strawberry Swing” por muito tempo; não conseguia ver onde ela chegaria no que diz respeito ao ritmo. Felizmente, o Chris insistiu bastante e também encontramos esse “drum loop” [?] durante uma passagem de som, alguns anos atrás e nos o exploramos. Isso foi o sufiente para mudar minha impressão inicial. Fico contente em admitir que estava errado e que todos foram tão persistentes, o que resultou em uma fantástica parte do álbum.
GUY: Não foi sem esforço que conseguimos [desenvolver “Strawberry Swing”], mas foi muito bom, porque acabou se tornando uma dessas surpresas, da mesma forma que foi com “42”. Para mim, é uma importante faixa do disco e uma boa forma de finalizá-lo, apesar de não ser a música final.
CHRIS: “Strawberry Swing” é o começo do fim do álbum e também da parte “tudo-está-bem”. Gostamos dela porque é muito reconfortante. Quando toda essa agitação sobre o quanto mudamos ou experimentamos acabar (em uns três meses), só vão restar as músicas de que as pessoas gostaram e acho que “Strawberry Swing” vai ser a canção preferida de muitas pessoas. E eu gosto dela porque é reconfortante e positiva. Todas as coisas que não assumimos estão nela […]. Quando o Will não gosta de uma composição geralmente é porque ele ainda não achou nada brilhante para acrescentar à ela. Então, essa música estava hibernando; era uma balada convencional até que surgiu esse som de guitarra e o Will também estava desenvolvendo esses ritmos não-convencionais, já que não queremos ficar nos repetindo.