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Posts Tagged ‘Chris Martin’

A wild wind blowing

23 Novembro, 2008 1 comentário

Chris Martin: o homem do ano
Número 1 em 36 países, criador de conceitos e sedutor incorrigível

Chris Martin

Como foi o ano de 2008 para você?
[Deixando a questão confusa já de antemão] Veja bem, o que estivemos fazendo foi tentar concluir esse EP, Prospekt’s March, então estamos exatamente do mesmo jeito desde a última vez em que conversamos.

Você quer dizer, morrendo de preocupação durante as poucas semanas que o separavam do topo dos rankings de 36 países?
Não é preocupação! É só centração! Estamos amaldiçoados pela ambição. Estamos visando o passo seguinte a todo instante, sabe? Tem uma versão de Lost! no EP, feita pelo Jay-Z [intitulada Lost+, em contraste com as outras três versões do single: Lost!, Lost? e Lost@]. Diga o que você gosta na banda; a gente pode até não fazer rock’n’roll, mas nos relacionamos com outras vertentes muito mais do que muita banda por aí.

Por favor, diga para a gente que vocês estão contentes por o álbum mais vendido do ano ser o de vocês.
Mas é claro que estamos! Totalmente. Não vamos ficar dando voltas. Aliás, não vamos dar volta alguma. Vamos direto ao cerne da questão: tem sido um ano fantástico. Mas quando alguma coisa boa aparece no nosso caminho, sempre tentamos validá-la fazendo algo ainda melhor. Esse é simplesmente o modo como procedemos e lidamos com a questão. Além do mais, o U2 esteve de férias o ano todo. Na verdade, escondemos o U2 bem escondido. Temos o empresário mais apocalíptico de todos os tempos. Amamos demais o Dave, mas ele não fica contente conosco até que tenhamos conquistado o universo conhecido. Não fomos número 1 no Alasca, mas só porque a Sarah Palin estava no caminho. Ela não vai muito com a nossa cara.

É só porque vocês são “revolucionários” demais.
Não, somos é gentis demais com as grandes multinacionais petrolíferas. Acho que ela é muito aprazível, mas não muito elegível. Essa é minha máxima.

Você acha a Sarah Palin atraente?
Adoraria levá-la para sair, mas eu não necessariamente creio que ela deva ser a mulher mais poderosa do mundo. Se ela estiver preparada, eu retiro o que disse, é claro. Não quero entrar em apuros! Mas, no estágio em que estamos, no momento dessa entrevista, é bom atentar para a chapa de Obama e Biden. Seria bom para todos.

Vocês não conheceram o Obama no aeroporto de Washington?
Apenas vimos o avião dele. Nosso avião aterrisou perto do dele. Nos cruzamos aí. Foi apenas um bate-bola inofensivo. Nada além disso. O avião dele era o Mudanças-já e no nosso havia apenas uns caras cheirando a estrada. No entanto, se ele for eleito enquanto temos essa conversa, a coisa muda de figura.

Quantas fantasias da Revolução Francesa vocês têm? Deve haver muitas, don contrário, eles devem estar num estado deplorável agora!
Em primeiro lugar, não são fantasias! São nossas roupas! É algo toalmente confortável que vestimos para fazer o nosso trabalho; não quero simplesmente usar calça jean e camiseta. Temos um monte de roupas e as escolhemos de acordo com o contexto. Somos o Sex And The City da música. [dá uma olhadela nos sapatos azul metálico da Q] Gosto dos seus sapatos. Eles são extremamente aprazíveis.

Muito obrigada. Você realmente sabe dizer a coisa certa a uma “dama”.
Eu entendo as mulheres, é claro. Sou um sedutor.

Na verdade, neste ano, as pessoas finalmente começaram a perceber que você é um sedutor incorrigível.
Bom, até certo ponto…

Você é um garanhão!
Eu não diria isso! É só o caso de passar 23h do dia ao lado de oito homens e ficar feliz por ver alguém de saia. E, quando você volta para casa, começa a ficar realmente, real… Entende?

Por um mês, o mundo ficou hipnotizado pelos sapatos de sua esposa [um salto de 20cm que Gwyneth Paltrow usou em uma cerimônia de lançamento]. O que você achou deles?
Aprovo os sapatos de todos os formatos e tamanhos. Você estava se referindo ao salto? Creio que a maioria das garotas gosta de pôr seus sapatos para fora do armário às vezes, certo? E, certamente, nós reparamos neles.

Quem foi o amigo mais incrível que você fez esse ano?
Albert Hammond Jr é bem incrível. Fizemos uma ótima turnê ao seu lado. Ele é o cara. Ele queria se relacionar com uma banda mais legal que o Strokes e nós dissemos: “Bom, talvez a gente seja essa banda”.

Por um momento, neste ano, você enlouqueçou e deu as costas para um monte de entrevistas. O que aconteceu?
Duas entrevistas! Bom, se eu não estou gostando de uma conversa, eu não vou ficar fazendo hora nela. Simples assim. Se pressinto que a entrevista está indo por um caminho tortuoso, às vezes, é melhor dar um tempo. Sempre volto dois minutos depois e peço desculpas. Não é grande coisa. Não é como colocar uma bomba na embaixada. Mas obrigado por tocar no assunto. Fui!

Scans e comentários: Viva La Coldplay
Agradecimentos: David Watts, Coldplaying.com.

It’s the time of your lives

15 Novembro, 2008 Deixe um comentário

Break down, break down
Gotta spread love around
Gotta spread it all round

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Coldplay.com atualiza-se com Chris em Atlanta

Olá, Chris, como vai?
Estou bem, cara. Estou em Atlanta. Acabam de analisar minhas orelhas e também fiz uma limpeza bucal.

O que há de errado com suas orelhas e boca?
Bom, nada que esteja muito na cara, mas em toda cidade que vou, costumo parar alguma pessoa na rua para dar uma checada nas minhas orelhas.

Com que finalidade?
Gosto de perguntar o que acham de um cara de 31 anos furar a orelha. Porém, a resposta unânime é que já é tarde demais. É frustrante.

Tá certo. Vamos falar sobre o EP Prospekt’s March. Lançá-lo sempre esteve em seus planos?
Sim, a idéia sempre foi lançá-lo mais ou menos nesse período.

Então, quando vocês começaram a gravar o Viva La Vida, a intenção era compor músicas a mais?
Sim, mas elas são todas parte de uma só família. Em verdade, creio que, porque Glass Of Water é um pouco mais pesada, por exemplo, pensamos “Vamos lançar o álbum, se o desempenho dele for decente, vamos lançar essas outras músicas em relação as quais estamos não estamos tão confiantes assim”.

Teve alguma música que, por muito pouco, não entrou no Viva La Vida?
Bom, basicamente todas. Nunca pensei que não estariam [no álbum], entende? É por isso que me sinto estranho quando lembro que as pessoas ainda não as ouviram. Além do mais, foi legal ter uma chance de incluir [no EP] Lovers In Japan mixada e a versão de Lost! do Jay. Pessoalmente, é o braço direito perfeito para o Viva La Vida.

Você gostou da versão do Jay-Z de Lost!?
Aham, adorei. Ele é um cara inteligente.

Você escutou o álbum com uma mistura de músicas do Coldplay e do Jay-Z?
Viva La Hova? Não escutei, mas ouvi falar. Não fico fico olhando muita coisa na Internet, então não sei o que rola aí.

E qual é o conceito por trás da versão mixada de Lovers In Japan?
Bom, ultimamente, ao vivo, essa música está melhor que na gravação. Isso moldou a versão Osaka Sun, a qual tem um pouquinho mais de vivacidade. Estou extremamente contente com o EP, devo dizer. E posso dizer que é porque não há a mesma pressão que envolve o lançamento de um álbum. Acho que as pessoas que já têm o Viva La Vida e gostam dele vão, com sorte, realmente gostar do EP porque eles fazem parte da mesma família; é, talvez, um pouco mais interessante. E as pessoas que ainda não têm o Viva La Vida podem comprá-los em conjunto. Eu simplesmente me sinto muito feliz com isso. Mas com o que estou realmente empolgado é tocar no Reino Unido.

Ah, é verdade, a turnê britânica vai começar daqui a poucas semanas.
Exatamente. Quando estava no palco ontem me dei conta de que já fizemos uns 70 shows e ainda não tocamos em casa. Me senti muito “Cara, fomos muito mal educados, temos de voltar para casa e tocar lá”. Mal posso esperar pelo show em Sheffield.

Vocês têm planos especiais para essa turnê?
Bom, vamos continuar fazendo o mesmo tipo de coisa, só as piadas que vão ser mais centradas nos britânicos. Vamos ter que deixar de lado todas piadas sobre o bombeiro Joe e sobre Sarah Palin e vamos contar outras sobre Jonathan Ross e Russell Brand. Realmente, o único contratempo de tocar em países diferentes é pensar o que falar entre uma música e outra.

Vocês vão tocar no Reino Unido bem perto do Natal; o último show é no dia 23 de dezembro, em Belfast.
É verdade. E eu também queria fazer alguma coisa na véspera do Natal, mas não tenho certeza se dá mesmo. Tenho de admitir que é realmente estranho que não tenhamos tocados no Reino Unido nenhum vez. Na última semana, a ficha realmente caiu. Mas acho que ano vem a gente compensa.

Isso é uma pista de planos para o futuro?
Tentamos Knebworth, mas não deu mesmo. Então temos de pensar em alguma outra coisa. Na realidade, creio que já pensamos nisso. Espero que em breve a gente possa anunciar. E que não coincida com nada do Oasis.

Apesar de que isso seria uma boa maneira de dividir a conta.
Um ótimo jeito. E não nos importaríamos de abrir o show. E, curiosamente, eu também faria isso para o Take That. Estávamos no camarim ontem e, por um motivo qualquer, começamos a cantar Back For Good. Cantamos a música todinha, verso a verso, tocando tudo certinho no nosso piano, sem ter tido de decorar nada ou coisa do tipo. Foi ótimo. Eu gostaria de usar esse espaço, o website do Coldplay para anunciar que, se o Take That quiser que a gente abra algum show para eles, vamos fazê-lo. O único problema é que vamos ter de comer muito feijão com arroz antes.

Mas vocês têm mais planos de turnê para o ano que vem?
Aham. Nossos planos de turnê são bem parecidos com presentes de Natal que estão embrulhados, mas que deixam você inferir o que são. Se você olhar com cuidado, poderá ver o formato e talvez possa advinhar: “Uhm, parece que é um estádio”.

Você tem gostado da turnê?
Cara, é a melhor época das nossas vidas. O fato é que sempre desejamos ser uma banda que pudesse ir a qualquer lugar que quisesse e de repente isso aconteceu. É um privilégio tão grande. É brilhante de um jeito surreal. Mal podemor esperar para voltar para o Reino Unido. É a nossa casa. O que mais tem acontecido aí? Como vai a campanha do Tottenham?

Eles estão indo muito bem desde que Harry Redknapp assumiu.
Ótimo.

Ao mesmo tempo, o seu time, Exeter City está indo bem na liga, mas foi eliminado do campeonato inglês por um time de uma categoria muito abaixo.
Quanto abaixo?

Bom, o Exeter está na quarta divisão e ele perdeu para um time da oitava divisão.
O quê?!

Eles perderam para o Curzon Ashton.
Peraí, ‘cê tá me dizendo que eles foram eleminados pelo marido da Demi Moore?!

Está na moda comprar times de futebol. Talvez você devesse fazer uma oferta ao Exeter.
Bom, se tivesse dinheiro o suficiente, adoraria comprar o Exeter City e dá-lo a alguém que sabe o que está fazendo porque eu não realmente entendo de futebol. Mas é caro demais. Curiosamente, um dia desses em Nova Iorque, um cara veio falar comigo -um grande empresário- e disse “Eu quase comprei a sua banda uns dias atrás”. Não posso dizer quem era, mas foi uma conversa hilária. Ele afirmou quase ter comprado a nossa gravadora.

Se você tivesse de escolher o melhor show dessa turnê, qual seria?
Bercy, em Paris.

O que teve de especial nesse show?
O público. E o preço dos salgadinhos. Avalio nossos shows por o quão razoável o hamburguer vegetariano custa. Se verificar que foi muito caro, não posso fazer um bom show.

Sério?
Não.

Ótimo, porque o preço de um hamburguer é geralmente relacionado à sua qualidade. Preço baixo é, com freqüência, sinônimo de um lanche de qualidade baixa e vice-versa.
Você acha? Isso se aplica à música também? Podemos afirmar então que Be Here Now é muito caro? Aliás, posso deixar registrado aqui que Be Here Now é um grande álbum?

Nem mesmo Noel Gallagher pensa assim.
Não, o Noel não, mas eu sim. Acho que há boas músicas nesse álbum. Acho que My Big Mouth é uma das melhores músicas do Oasis.

Mas esse álbum é comprido demais.
Bom, isso também é conhecido como síndrome X&Y. Toda banda pega. Mas qualquer pessoa lendo isso deveria ouvir
My Big Mouth do Oasis porque é incrível.

Foi legal ler a sua nota sobre a vitória do Obama nas eleições, semana passada.
Cara, essa turnê americana tem sido fantástica porque é um hora incrível para se estar nos Estados Unidos e o público está de tão bom humor. Acho que uns 90% das pessoas que vêm assistir aos shows são favoráveis ao Obama. É como viver um grande período da história. Estávamos em Nova Iorque no dia da eleição e foi uma festa total.

Parece incrível.
É. Comparando os Estados Unidos com a peça do Otelo, é o momento da reviravolta. Parece 50% diferente. A sensação é a de que as pessoas que ficaram em silêncio por oito anos tornaram-se subitamente aqueles que tomarão as decisões.

Você tem composto músicas durante a turnê?
Tenho. Escrevo o tempo todo porque é a única maneira de entender as coisas. Tenho um desses teclados que você ganha de Natal quando tem sete anos. Carrego ele comigo toda hora.

Você escreveu alguma música hoje?
De fato escrevi uma parte de uma música.

Podemos dar uma conferidinha?
Bom, é sobre a hora em que seus tios ficam bêbados e começam a cantar.

É sério?
É, juro para você. E também devo dar alguns créditos a
Altogether Now do The Farm. Não sabia mesmo que essa música fala sobre um jogo de futebol nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. É incrível.

Bom, estamos ansiosos pela música dos tios bêbados. Você tem alguma coisa para acrescentar?
Só que estamos muito agradecidos pelas pessoas que apoiaram a nossa banda esse ano e que estamos vivendo uma época inacreditável. Na verdade, amamos isso demais! E vamos ficar melhores e melhores. Essa é a novidade.

Entrevista: Chris/Espanha

12 Setembro, 2008 Deixe um comentário

“Precisávamos romper com estereótipos”

Fonte: elmundo.es

 “Havíamos alcançado uma fase que pensamos: já que não podemos ser mais importantes, vamos ter de nos esforçar e melhorar”, explica Chris Martin.

“Eu também havia tomado a decisão de trabalhar a minha forma de cantar e ter aulas canto fazia anos. A professora me disse: “Olha, Chris, já estou enfadada com a sua maneira de cantar, você tem de mudar”. Eu, pessoalmente, não me sentia assim, mas é verdade que, de certo modo, ela tinha razão e eu tinha consciência disso. Assim, me esforcei ao máximo. Quando se é uma estrela do rock, sempre fica difícil reconhecer que você deve aprender algumas lições. Isso acontece com muito menos freqüência em outros campos artísticos ou nos esportes”.

Essa era a atitude de Martin (Devon, 1977) e o estado de espírito de seus companheiros de banda quando iniciaram a composição de seu quarto disco, o complexo e ambicioso Viva la vida or Death and All His Friends.

O álbum já vendeu seis milhões de cópias desde o seu lançamento em junho e agora, em setembro, o quarteto londrino se propõe a conquistar uma platéia maior na turnê européia que acaba de começar e que chega à Espanha com todos os ingressos vendidos há meses.

Chris compareceu à [nossa] entrevista irradiando uma alegria contagiosa. O pianista, guitarrista e cantor mostrou-se disposto a responder às perguntas que lhe fizeram sobre esperanças e ambições, tanto em relação a Viva La Vida, como a sua carreira em geral.

Quais foram suas principais influências na gravação de Viva La Vida?
Nos esforçamos ao máximo para tentarmos ser mais abertos, mais ousados e mais ecléticos. No caso deste álbum, muitas influências musicais nos serviram de inspiração. Escutamos desde Rammstein a Tinariwen, passando por My Bloody Valentine, George Gershwin e até Marvin Gaye. E Radiohead, que sempre representa para nós uma influência muito importante. Não queríamos impôr nenhum tipo de barreira musical. De certa forma, víamos o disco como nosso Sgt. Peppers ou Achtung Baby, do U2, no sentido de querer estabelecer um ponto de transição, uma nova direção em nossa carreira.

Vocês já declararam que, no passado, o ponto mais vulnerável do Coldplay era um perfeccionismo extremo. Vocês se preocuparam em adicionar um grau maior de expontaneidade em Viva La Vida?
Continuamos sendo perfeccionistas, mas fizemos o possível para nos curarmos! [Mas] cuidamos que o jardim florescesse à sua própria maneira, sem arrancarmos as ervas daninhas.

Sempre se torna complicado para um banda que alcançou tamanho sucesso (35 milhões de discos vendidos, aproximadamente) continuar tentando superar-se e crescer. Vocês sentiram necessidade de encontrar uma sonoridade diferente?
Precisávamos romper com estereótipos. Como banda, quando se alcança uma certa visibilidade, sempre se corre o risco de recorrer vez outra à mesma fórmula e acabar perdendo mesmo os fãs mais constantes. Aproveitamos bastante do nosso sucesso para nos cercar de muitas pessoas talentosas, de modo a podermos buscar novas fórmulas para inovarmos, experimentarmos e nos renovarmos artisticamente; queríamos explorar caminhos que não ousamos percorrer fazia cinco anos.

Nesse sentido, como Brian Eno e Markus Dravs, seus novos produtores, ajudaram nessas novas trajetórias?
Nos ajudaram a abandonar a zona de conforto e comodidade em que costumavámos penetrar para fazer as coisas. De certo modo, Brian e Markus empenharam-se em nos desconstruir e remontar novamente. O mais importante é que tiveram o bom senso de nos alertar (“Parem!”) em determinados momentos. Considere, por exemplo, a música Lost!. Tínhamos uma versão original na qual havíamos trabalhado durante nove meses. Pois bem, ao final, Brian nos disse: “Vamos usar a primeira versão”. Era a que havíamos gravado em 25 minutos! Mas tinha razão. Sem Brian e Markus, teríamos ficado no estúdio dando retoques aqui e ali, com nosso perfeccionismo. Se dependesse da gente, Viva La Vida teria chegado às lojas em 2071!

Vocês realmente acreditavam que o disco seria tão bem sucedido quanto os anteriores?
Sinceramente, não. Os dias que antecederam a data de lançamento nos foram muito penosas; até me tiraram o sono. Morria de impaciência. Queria passar de loja em loja perguntando o que as pessoas achavam, se estavam ou não comprando o CD, se estavam ou não baixando as músicas. Não me importava mais nada, só queria saber se as pessoas gostavam do álbum.

O título foi emprestado de um quadro de Frida Kahlo que vocês viram na casa da pintora, no ano passado. Qual o significado desse quadro para vocês?
Fiquei impressionado com os incríveis contrastes que podem ser observados nesse quadro e em outras obras dela. Há todas essas cores vivas se destacando e, ao mesmo tempo, é possível perceber que a pintora estava representando algo muito obscuro. Me senti intensamente atraído pela forma com que ela representava o mundo, com muita luz e escuridão, precisamente como sempre existirá felicidade e tristeza, convivendo uma ao lado da outra. Essa é a forma como eu me sinto comigo mesmo.

Assim como em suas visitas anteriores, o Coldplay trouxe consigo a Oxfam, a qual, antes dos shows, denunciou os acordos comerciais entre a União Européia e os países subdesenvolvidos.

Vamos falar de assuntos pouco agradáveis… Paralelamente às críticas elogiosas, são também publicadas opiniões negativas, como a do periódico The Independent. Vocês leram o artigo?
Não, mas conheço o autor dela. Ele reprovou cada um de nossos discos. Felizmente, não há nada que obrigue alguém a escutar as nossas músicas. Há uma grande quantidade de pessoas que as detestam e outras ainda que acreditam serem ela super valorizadas. Certamente, não estão de todo equivocados sobre esse último ponto. Considerados individualmente, não somos músicos excepcionais, mas, em grupo, cria-se uma química inexplicável que supera isso.

Você não tem papas na língua quando são abordados alguns temas políticos. No entanto, nunca compôs nada do tipo.
Tenho tendência a cantar sobre temas universais, que são sempre os mesmos: a solidão, os sentimentos de insegurança, o lugar do indivíduo na sociedade… Ainda assim, há algumas canções novas nesse último álbum, Como Violet Hill e a própria Viva La Vida, que, nesse sentido, marcam um guinada. Tenho a sensação de que, nelas, ousei dizer o que penso, não somente o que sinto. Para mim, representam um passo muito importante que me fez sentir uma sensação de grande liberdade. Pessoalmente, essas músicas têm, de alguma forma, uma intenção política e social, apesar de não haver nelas nenhuma declaração explícita. [Mas], naturalmente, cada um tem o direito de interpretá-las como bem entenderem.

Quando você está compondo, o que dá mais trabalho, a melodia ou os versos? 
Não se pode separá-los. O que mais gosto é quando letra e melodia surgem ao mesmo tempo. Quando tenho os versos de uma canção, mas não há uma melodia subjacente, fico travado, sinto como se estivesse num beco sem saída. Há ocasiões em que não tenho confiança suficiente no que escrevo. É aí que entra a melodia, uma ajuda para contornar a dura realidade de que não sou Shakespeare!

Uma das coisas mais difíceis para qualquer artista que, como você, tenha alcançado um grau de fama e reconhecimento internacional é manter controlado o próprio ego. Como você faz para não se ficar convencido, se não o é?
Ouço discos dos Beatles, Radiohead e do Jay-Z. Porém, se ainda assim não consigo baixar a bola, sempre tenho o The Independent à disposição!

*A entrevista é encerrada aqui. Foram suprimidas aqui as considerações acerca do show “modesto” que ocorrera em Barcelona, uma das apresentações gratuitas antes que a turnê de fato tivesse início. A matéria original foi publicada em no dia 6 de setembro, antes dos dois shows na Espanha. Créditos: Coldplay Chile.

Baby, it’s a colourful world

6 Setembro, 2008 Deixe um comentário

Entrevista/biografia marcando a era Viva La Vida, no Coldplay.com, na recém inaugurada seção Post:

“O álbum foi movido por um anseio por sair do preto-e-branco e ganhar um colorido”, diz Chris Martin, vocalista do Coldplay. “Ou, se você preferir, decidimos deixar nosso jardim florescer um pouco mais revolto. A fera libertada de suas amarras”.

A despeito de descrições, é inegável o que representam as direções artísticas de “Viva La Vida Or Death And All His Friends” para os quatro amigos que, juntos, são conhecidos como Coldplay. “Acho que é nosso disco mais ousado e confiante”, afirma o baixista Guy Berryman. “Estávamos muito mais abertos a novas idéias e influências e com muito menos medo de experimentar”. Martin acrescenta: “Pode ser fácil deixar de lado as experiências se você teme o que as pessoas podem pensar, mas nos forçamos a não nos sentirmos assim”.

O resultado é um disco em que batidas vão de encontro ao som de um órgão que vai se avolumando (“Lost!”), onde o intervalo entre versos e refrão é preenchido com percussão e cordas norte-africanos deliciosamente propulsivos (“Yes”), onde ritmos do flamenco permeiam um conto de melancolia e angústia (“Cemeteries of London”), onde instrumentos de corda confundem-se em uma ode às glórias passadas (“Viva La Vida”). Tem som de Coldplay. Só que diferente.

“O ponto de partida do álbum foi escutar uma canção antiga e maravilhosa do Blur chamada ‘Sing (To Me)’ enquanto estávamos em turnê divulgando o ‘X&Y’, diz Martin sobre uma faixa percuciente e hipnotizante do primeiro álbum do Blur. “Lembro de estar ouvindo-a e pensar ‘Tá bom, precisamos progredir enquanto banda'”. A primeira música do novo álbum do Coldplay foi escrita logo no dia seguinte.

“Sou guiado por duas coisas”, Martin continua. “Uma é tentar racionalizar a existência. A outra é ouvir algo brilhante e tentar compor algo da mesma qualidade. Com esse álbum, fomos inspirados por músicas incríveis. Escutamos Rammstein e Tinariwen em seqüência e o resultado foi mais ou menos a seção central de ’42’. Para outra faixa, escutamos Marvin Gaye e Radiohead. Ou Jay-Z e The Golden Gate Trio. Ou My Blood Valentine e Gerschwin. Ou Delakota e Blonde Redhead. Não havia limitações”.

“Nós definitivamente expandimos nossos horizontes”, diz o guitarrista Jonny Buckland. No entanto, a ampliação de dimensões sonoras não ocorreu sob pena da eliminação de melodias que contribuiram na projeção do Coldplay como uma das bandas favoritas do mundo desde o lançamento de seu álbum de estréia, “Parachutes”, em 2000. “Viva” pode vir em um momento de experimentalismo para o Coldplay, mas suas dez faixas ainda são uma explosão de grandiosos refrões de elogio à vida. “Espero que sim”, afirma Buckland. “Nunca ficamos sem jeito por causa de melodias e nunca ficaremos”. “Nós ainda estamos obcecados com músicas que podem ser cantadas pelas multidões”, concorda Martin. “Só queremos apresentá-las de um jeito diferente”.

Com esse espírito, a banda decidiu logo no início do processo de gravação que “Viva” seria seu álbum mais curto. “Percebemos que não escutávamos um disco de uma vez só, de cabo a rabo havia tempos”, explica Buckland. “O único motivo é que as pessoas incluíam faixas demais”. “Assim, mesmo que isso significasse descartar canções que amamos”, continua Martin, “esse álbum tinha de terminar antes de um episódio de CSI acabar”. E, com efeito,  a banda conseguiu fazer com que as dez faixas somassem os 42 minutos pretendidos (porém, as faixas escondidas adicionais esticam a duração para 46 minutos).

Outra mudança é que a banda encontrou para si um quartel general permanente; uma antiga padaria escondida entre os becos anônimos de Londres, em frente ao conselho distrital do norte londrino. No local, eles ensaiavam, compunham, desenvolviam projetos gráficos ou simplesmente relaxavam (o jogo de dardos revelou-se particularmente popular). De acordo com Buckland: “É a primeira vez que temos um lugar decente para uma banda desde o tempo em que ensaiávamos em meu quarto na universidade, em 1999. Fez uma grande diferença”.

“The Bakery tem sido uma grande dádiva”, concorda Will Champion. “Podíamos ir lá todos os dias, sem sermos pressionados por prazos, e trabalhar na nossa música. Anteriormente, costumávamos pensar: ‘Temos uma porção de músicas, vamos para um estúdio grande e caro e começar a gravar. Depois, porém, acabávamos por descartar a maioria das músicas e tínhamos de começar tudo novamente porque não tínhamos ensaiado ou desenvolvido a música o suficiente. Com esse disco, passamos meses na Bakery antes de entrarmos num estúdio. Ficamos só ensaiando e tocando e gravando demos e praticando antes que as coisas ficassem muito boas. No fim, estávamos muito mais bem preparados para a gravação de verdade, muito da qual foi feita na Bakery mesmo”.

Desde o começo, a banda teve a companhia de dois produtores, Brian Eno e Markus Dravs. “Trabalhar conosco foi idéia do Brian”, diz Martin. “Com freqüência eu me encontrava com ele para tomar chá e tocar tabla machines e isso acabou resultando em um ano inteiro de produção. Posteriormente, Markus juntou-se a nós, apresentado por Win, do Arcade Fire, após ele ter trabalhado em ‘Neon Bible’. Win disse ‘Vocês deveriam trabalhar com esse cara porque ele realmente te põe em forma'”.

Eno e Dravs conciliaram seus talentos de sorte a configurar algo em torno de uma produção dos sonhos. “Ambos têm personalidades muito diferentes”, explica Guy, “eles de fato se completam”. Tal qual Win havia declarado, Dravs foi arduamente difícil de se agradar. “Ele nos fez trabalhar como cães”, relembra Jonny, com riso sombrio. “Tudo tinha de ser feito dentro dos padrões rigorosos dele. Ele realmente exigiu muito da gente como músicos, até que pudéssemos gravar a maior parte do álbum ao vivo”. E isso é precisamente o que eles fizeram. “Diria que uns 80% do que vocês ouvirem foi gravado por nós quatro, em um círculo, tocando juntos”, diz Martin. “Essa é uma forma um tanto peculiar de gravar hoje em dia, mas é a maior das diversões para uma banda”.

Eno, enquanto isso, cuidou da inspiração e confiança que o Coldplay precisava para desenvolver sua música. “Ele subvertou completamente a fórmula”, afirma Champion. “Ele fez com que mudássemos todo o nosso estilo de trabalhar e enxergar aonde isso tinha nos levado. O Brian tem essa incrível capacidade de desmistificar as músicas maravilhosas e fazê-las parecerem bem tangíveis. Não tememos experimentar nada”.

Isso tem um sentido bem amplo: seja ir até Barcelona para gravar em igrejas antigas ou chamar um hipnotizador à Bakery. “Foi um bom dia”, diz Champion. “Ele falou sobre esse processo de auto-relaxamento extremo e as possibilidades do que você pode fazer quando está num estado em que não limites para a sua imaginação. Depois, voltamos para o andar de baixo e tocamos. Havia esperanças de que conseguiríamos compor algum madrigal ou coisa que o valha!”

Infelizmente, isso não aconteceu, tampouco entrou na tracklisting o resultado musical, mas a banda continua achando que foi uma experiência válida. […] Sobre o evento, Champion nos conta: “Eu só apoiei o que Brian vinha dizendo havia tempos sobre não ter medo de experimentar coisas novas, que nunca havíamos tentado antes”.

“Brian trouxe tantas coisas para esse álbum”, concorda Martin. “Para começo de conversa, ele tocou [muitos instrumentos]. E trouxe vida, liberdade, impulso, distorção, energia, estranheza, insanidade, sensualidade, nerdice e ‘Roxyce’. Tudo isso. Ele é incrível”.

Outra presença crucial no estúdio para a gravação de “Viva” foi o amigo intímo e antigo empresário, Phil Harvey. Ele é a pessoa que você reconhecerá como o quinto membro do Coldplay, como consta no encarte que acompanha “Viva” e no segundo álbum da banda “A Rush Of Blood To The Head”, de 2002. Quando a banda gravou em 2005 o seu terceiro disco, “X&Y”, Harvey esteve ausente, morando na Austrália.

“No nosso último álbum, perdemos nosso editor e quinto membro porque ele estava algumas milhas longe demais”, diz Martin. “Algumas das músicas desse disco são boas, mas precisávamos de alguém dizendo relaxem, tirem isso, não se preocupem com isso. Phil é uma espécie de soberano entre nós”. “Ele é a maior diferença de todas desse disco, creio eu”, adiciona Buckland. “Sentimos tanto a sua falta no último. Ele é o cara sábio entre a gente, aquele que nos escuta e opina, tudo. É incrível como tudo fica mais fácil quando ele está por perto”.

Isso não significa, porém, que a gravação de “Viva” tenha sido isenta de problemas. O Coldplay sempre deu o seu máximo na composição de seus discos e “Viva” não foi exceção. “Na verdade, foi mais alucinante do que nunca”, admite Martin. “Acho que, se você quer fazer alguma coisa boa, deve sofrer por ela. E nós sentimos todas as emoções que se pode imaginar. Menos preguiça. Não passamos por isso, na verdade. Mas por todo o resto. E creio que isso possa ser apreendido no produto final”.

“Viva La Vida or Death And All His Friends” empresta seu título dos extremos de emoção que o impulsionaram. Este é um álbum caracterizado por perda e incerteza, viagem e tempo, felicidade e arrependimento. “Não estou certo se é uma síndrome de bipolaridades, mas nós certamente temos algo se passando em nossas mentes e que tanto alegra quanto desanima”, diz Martin. “Infelizmente, é incontrolável. Compus essas canções dominado por ambas emoções; elas estão em toda parte. Não houve planejamento poético, elas simplesmente surgiram dessa forma. Da mesma forma, são brados de guerra. Sempre há amor, satisfação e alegria em nossas músicas”.

Tal aspecto é transparente no ímpeto de “Lovers In Japan” ou na bem-aventurança doce e carnal de “Strawberry Swing”. Contudo, é igualmente claro na esperança insistente de uma faixa como “42″ (”There must be something more” ou no furor decorrente do clímax do [refrão] coletivo de “Death And All His Friends”. “Não vamos perder a vontade de sermos otimistas”, Martin garante.

 

Quais, então, as ambições da banda com “Viva”? “Queria que esse álbum fosse merecedor da posição a que fomos comfiados”, responde Martin. “E não há dúvida de que, no final desse processo, somos uma banda melhor; independentemente do que façam do disco, quando tocarmos ao vivo, vamos fazer o deixar o palco em chamas. Mas, no fim das contas, não importa o quão cerebral você tenta fazê-lo, o álbum está aí para entreter as pessoas; oferecer 42 minutos de deleite, com dez boas músicas e cada uma vai ser a canção favorita de alguém. Estou com grandes expectativas de que tenhamos alcançado isso”.

Long live the king [Parte 2/2]

22 Agosto, 2008 Deixe um comentário

Seguindo o bate-papo com Guy, Chris responde as perguntas da revista Clash:

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Em seqüência, o gracioso vocalista e ativista incansável, CHRIS MARTIN. Geralmente um paradigma de auto-confiança, no dia em que a Clash conversa com ele, Chris está atipicamente desalentado e precisando de um pouco de afirmação…

O mundo inteiro está na espera pelo álbum. Qual é a sensação de estar no centro das atenções?
CHRIS: Qual a sensação? Vou ser honesto com você, cara, é completamente aterrador e eu gostaria de me esconder em um buraco por alguns meses. Esse não é o tipo de resposta que eu devia dar, mas você me pegou numa manhã em que eu estou tipo “Dane-se, não agüento mais!” (risos). Nenhuma série de músicas pode resistir à tamanha pressão. Para cada pessoa que diz que ama [nossa música], há outra que odeia. Sinto como se estivesse em um turbilhão permanente e mal posso esperar para o álbum ser lançado, de modo que aquele adolescente de quinze anos possa finalmente avaliá-lo.

Sucesso descomunal limita o experimentalismo de cada álbum ou reforça a sua confiança?
CHRIS: Vamos ver. A questão é que, quando você tem muito sucesso, há uma grande proporção de pessoas que não querem que você mude e uma proporção ainda maior de pessoas que realmente quer que você mude. Acho que, no último álbum, nos sentimos pressionados a não fazer mudanças, então não as exploramos tanto assim. Dessa forma, adquirimos nosso próprio espaço, chamado The Bakery [estúdio no norte londrino], aonde fomos com Brian [Eno] e Markus [Dravs, co-produtor] e sentimos liberdade. Definitivamente não usamos os velhos truques, o que, por sua própria natureza, é muito arriscado, penso eu.

Como essa liberdade influiu na música?
CHRIS: Pelo simples motivo de se poder ir até lá, pela manhã e não sentir pressão alguma, entende? Se você quiser passar três horas tocando uma flauta-de- pã, você pode. No final, você pode decidir: “Vamos usar isso; não vamos usar isso”. Por outro lado, não pode mais ir [ao estúdio] e perguntar “Qual é a balada com piano de hoje?”. Entende o que quero dizer?.

Há um verso em “Lovers In Japan” que diz “They’re turning my head out/To see what I’m all about”. É uma referência ao fato de você sempre ter de se justificar em entrevistas?
CHRIS: Pode ser. Nunca achei que valesse a pena usar nossas músicas como aulas de análise ou coisa do tipo; elas podem significar o que vocês quiserem. Não quero parecer uma prostituta de quinta categoria, mas pode me dar o nome que quiser.

Em “Viva La Vida”, você pergunta “Who would ever want to be king?” Isso soa como um clamor por compaixão, feito do pedastal em que você foi colocado. É difícil estar à altura das expectativas em torno de você?
CHRIS: Não, não. A música, na verdade, é sobre estar no topo do poder e estragar tudo. Dessa forma, ela é aplicável a um relacionamento ou mesmo a estar no lugar de Vladimir Putin. Mas, está certo, também serve para falar da posição em que a banda está, já que duas perspectivas podem ser assumidas: a do rei prestes a ser linchado e a do povo prestes a linchá-lo. Assim, é os dois lados da moeda.

Há uma quantidade considerável de versos obscuros nesse álbum, assim como ocorreu no passado -canções sobre morte e solidão. O que motivou essa temática?
CHRIS: Tenho 31 anos agora, estou ficando mais velho, então esse tipo de assunto tem a tendência de surgir. Não, acho que mais ou menos no ano passado, todos nós sofremos perdas e vivemos situações ruins; isso acontece com todo mundo, mas no final das contas, o que tentamos fazer é enfrentar de cabeça erguida e não em desespero. É definitivamente nossa intenção. Ignorar esse aspecto da vida seria pintar um quadro equivocadamente.

Há fantasmas e cemitérios vagando em torno do álbum. O que eles simbolizam para você?
CHRIS: Acredita-se que fantasmas sejam pessoas que não encontraram seu refúgio final, certo? E uma das imagens que estavam em minha cabeça era… Só pensamos que seria peculiar passar toda a sua vida tentando ir pro Céu e, quando você morre, chega aos portões só para dizerem que você não conseguiu. (risos) Isso sempre me perturbou, não estar na lista de convidados.

Você já teve experiências com um fantasma?
CHRIS: Boa pergunta. Tive uma no País de Gales. Estava dormindo em um hotel, quando acordei e havia esse tipo de… Não consigo explicar… Ar quente soprando na ponta da cama.

Tem certeza que não era o Jonny?
CHRIS: Não, não era o Jonny soltando um pum. No entanto, eu acredito totalmente nessas coisas.

Você acredita que haja essas pessoas desgarradas à nossa volta, o tempo todo?
CHRIS: Acredito, na verdade. Acho que sejam pessoas procurando por algo.

Muito dessa escuridão vai de encontro a uma série de referências à manhã ou ao despertar. O que a manhã simboliza? Nascer novamente, uma segunda chance?
CHRIS: Sim, claro. Mesmo na maioria dos filmes, assim que a manhã chega nos filmes de terror, é mais ou menos assim [exclamação de alívio], todos podem respirar mais tranqüilos: “Tá bom, podemos começar de novo”. Concordo plenamente com você.

O título do álbum, “Viva La Vida”, é um lema que vocês sempre adotaram ou que vocês estão tentando seguir?
CHRIS: É algo que sempre tentamos adotar, se me permite juntar as duas perguntas. A fonte é… Há um quadro da Frida Kahlo, um pintora mexicana, que teve uma vida extraordinária e fez esses quadros incrivelmente coloridos, mas, geralmente, com algum tema doido por trás; ainda assim, eles eram sempre apresentados vivazmente. Ele tem um quadro chamado
Viva La Vida. A sua casa é hoje um museu, aonde nós fomos ano passado e vimos essa pintura e eu fiquei “Temos de intitular nosso álbum com esse nome”. Porque, apesar de remeter a Ricky Martin, é a imagem que mostra acuradamente a direção que estamos tomando.

Vocês foram acusados de serem depressivos, de a sua música ser desalentadora. [O título “Viva La Vida”] seria uma declaração aberta do contrário?
CHRIS: É, talvez… Demos ao álbum um título e meio; a outra metade é “Death And All His Friends”. Foi uma espécie de… Não um gracejo, mas achamos que seria legal dar ao álbum dois títulos; assim, as pessoas poderiam escolher se elas acham que é depressivo ou edificante. Uma garota veio falar comigo dia desses e disse: “Eu gosto de ‘Yellow’, mas o resto me faz querer cortar os pulsos”. Respondi: “Não, você deve escutá-las depois de ter feito isso e se sentir melhor!”. Às, você não consegue se expressar direito, às vezes, não. Acho que essa alcunha é mais uma mensagem para nós do que para qualquer outra pessoa.

Na capa do álbum está “A Liberdade Guiando o Povo”, do Delacroix, celebrando a Revolução Francesa. Se esse disco pudesse induzir o público a tomar alguma atitude, qual você queria que fosse?
CHRIS: Essa é uma pergunta fantástica. Sempre acreditamos que o espírito do rock’n’roll não é usar calças justas e usar grandes quantidades de cocaína; é seguir o seu livre-pensamento. Creio que, especialmente agora, seja difícil impor-se sozinho e dizer o que se pensa. Assim, queria poder aplicar isso à minha própria vida; simplesmente orgulhar-se do que você pensa e estar sempre pronto para aprender e assim por diante; sempre esteja preparado para arriscar, sem medo de ser arrasado. Na minha própria vida, acho que é um desafio diário ter tal ação porque sabemos que vamos aquecer os ânimos. Engraçado, ontem estava lendo sobre Thomas Edison, esse grande inventor que viveu no século XIX ou XX. Achavam que ele era rídiculo, mas ele sempre seguia em frente e acreditava que ele poderia inventar uma lâmpada apropriada. Pessoas assim são realmente inspiradoras porque elas queriam muito algo e simplesmente correram atrás. Isso é o que eu gostaria de experimentar.

Vocês se juntaram à revolução tecnológica quando lançaram “Violet Hill” primeiro como download. Em algum momento foi considerado dar um passo a mais, seguindo o caminho do Radiohead?
CHRIS: Somos sempre, infelizmente, limitados pelo fato de que temos um contrato, então nós temos tanta liberdade assim, o que é meio bizarro, ao passo que o contrato de outras bandas já acabou e elas seguiram seu rumo por conta própria. Nós ainda temos que, de certa forma, fazer o que nos mandam. Desse modo, o máximo que pudermos… Há algumas faixas no álbum que são meio que secretas, então elas são basicamente grátis, mas o todo, de modo geral, não é exatamente nossa responsabilidade.

Bandas menores criticaram o Radiohead por acreditarem que a banda teria estabelecido um parâmetro a que poderiam corresponder somente os grupos que podem sobreviver sem vender álbuns. Como uma das únicas bandas que podem se equiparar ao Radiohead, vocês acham que disponibilizar as músicas gratuitamente é um mau exemplo?
CHRIS: Bom… Mm… É um dilema, não é? Em um mundo ideal, se você pode fazer isso, você deve. Muitos não podem fazer isso de graça, então os ouvintes têm quase a obrigação de… Não sei, há mais ou menos uma necessidade de fazer um pronunciamento quando se lança um disco: “Olha, vocês realmente precisam pagar por esse aqui” ou “Não precisamos que vocês gastem nesse aqui porque nosso último disco foi The Joshua Tree’“. Acho que isso deveria ser especificado a cada lançamento. O Radiohead está nessa posição de sorte, ao passo que The Ting Tings não. Assim, eu pessoalmente acredito que todos deveriam pagar pelo disco destes.

Considerando que os rumores da Internet sobre a indústria fonográfica continuam emergindo, você está preocupado com o estado da sua gravadora, a EMI?
CHRIS: Não. Acho que estamos vivendo um momento de transição na música; qual é a reação à ela, como é ouvida, como chega ao público. É como no início do século passado, quando os automóveis estavam surgindo, enquanto carros puxados por cavalos começavam a perder a espaço. Acho que estamos numa situação musicalmente correlata. Não finjo que sei quais são as respostas. Quero dizer, trabalhamos com pessoas da gravadora que realmente adoramos. Aconteça o que acontecer, sempre vamos precisar da ajuda de algumas pessoas, seja dentro de uma gravadora, seja fora. O que sabemos é que certamente há pessoas de que gostamos e precisamos muito.

Qual é a sensação de saber que a música de vocês tem uma grande amplitude, alcançando desde antigas até novas gerações?
CHRIS: Sério, cara, eu não acredito nisso. Na minha mente, eu sinto como se não tivéssemos feito nada ainda. Isso é o que me move: a sensação é de que nem ao menos começamos. Então, eu nunca penso nisso; é meio bobo, até, mas é de fato o modo como me sinto: “Cara, eu faço parte do Coldplay!”. Eu acordo de manhã e penso “Cara, você tem de fazer alguma coisa para conseguir um contrato!”. Ainda tenho essa mentalidade. Espero poder superá-la um dia, sossegado, mas isso não aconteceu ainda.

Vocês não vão tocar em nenhum festival nesse ano, mas você está planejando assistir a algum?
CHRIS: A única apresentação que eu não queria perder por nada era a do Jay-Z, no Glastombury. Mas estamos nos Estados Unidos, então não podemos ir de qualquer jeito, o que é muito frustrante.

Como você reage aos comentários sobre Jay-Z tocando no Glasto? Ele é seu amigo, não é?
CHRIS: Você está insinuando que sou tendencioso?

Er… estou.
CHRIS: Sou muito tendencioso. Porém, como ele é possivelmente o homem mais talentoso do mundo, não me preocupo. Acho que é uma das melhoras que alguém já teve.

Então você não concorda com o comentário de Noel Gallagher sobre Glasto ser apenas para guitarras?
CHRIS: Não, eu não (risos). Adoro o Noel, mas isso foi algo estúpido a se dizer.

Ao colocar o pé na estrada, vocês ingressam em um turbilhão de dois anos. Como você se prepara para a jornada?
CHRIS: Vamos esperar para ver. Se ninguém gostar do álbum, a turnê não vai ser longa, mas, se gostarem vamos deixá-la acontecer.

Acho que é mais provável a segunda hipótese se concretizar.
CHRIS: Bom, vamos ver, cara. Não me sinto muito seguro em relação a isso no momento, mas ontem sim. Talvez se nós continuássemos a conversa amanhã? (risos) Acho que nós dois temos de conversar sobre isso por mais ou menos um mês até termos o quadro completo. Não queremos um turnê demasiadamente longa porque alguns da banda começam a enlouquecer e isso não é fácil para se lidar.

Bom, você tem fama de ser um cara sóbrio e equilibrado…
CHRIS: Sim, mas eu sou viciado em pornô, então é uma compensação.

[…]

Aonde o Coldplay pode chegar e o que o Coldplay pode fazer que nunca tenha feito?
CHRIS: Aonde podemos chegar? Podemos tentar e ficarmos melhores.

Em um disco ou no palco?
CHRIS: Em um disco e no palco. No fim das contas, tentamos cumprir um serviço. Toda essa tentativa de parecer legal e tudo o mais à parte, o que de fato queremos é que as pessoas que compram nosso disco ou vêm aos nossos shows tenham uma boa experiência e sintam algo. Essa é uma das razões por que eu gosto das mudanças na indústria -tudo é um pouco mais direto. Se pudesse, eu simplesmente faria com que alguém que estivesse voltando da escola escutasse algumas canções, fazendo com que essa rotina seja menos aborrecida. O que podemos fazer nesse aspecto? Fazer algo para que viagens de ônibus sejam realmente emocionantes.

Memórias de um Roadie

16 Agosto, 2008 3 comentários

Site oficial, 15 de agosto:

Matt McGinn foi técnico de guitarra de Jonny por oito anos. Recentemente, ele escreveu um livro, Roadie, documentando os seus dias com o Coldplay. Achamos que você iria gostar de ler um divertido excerto, explicando como Matt conheceu a banda. (Ah, só para registrar, Matt não é Roadie#42)

Um Roadie conhece a banda

Quando crianças, nos anos 70, todos costumávamos sussurrar as palavras “O Ano 2000”, como se, quando o novo século chegasse, o sol fosse explodir e a Terra fosse mudar as suas cores/sair do eixo/molhar as calças, etc. No entanto, ele de fato chegou, não tenho um fio de cabelo há uns cinco anos, então, até onde sei, a grande reviravolta já teve lugar e absolutamente nada de extraordinário aconteceu. O bug do milênio? Bah! Estou careca de saber dessa história!

Engraçado como as coisas se sucedem, não? Em uma fatídica noite desses famigerados e malfadados doze meses, meu velho amigo roadie Jeff estava me dando uma carona para casa após mais um showzinho mal pago de esquina quando, subitamente, tivemos um conversa que se desenrolou mais ou menos assim:

“Então, Matt, que ‘cê vai fazer amanhã?”
“Nada, cara, é meu dia de folga. Por quê?”
“Tá afim de me ajudar com um show?”
“Er… Não sei. Estou muito cansado. Quem vai tocar?”
“Coldplay.”
“Como em Lisa Stanfield?”
“Não, imbecil, isso é Cold-bloody-Cut.”
“Ah, tá. Foi mal… Enfim, quem são eles?”
“Uma banda novinha em folha. Fecharam um contrato com a Parlophone. Vão abrir um show pro Embrace. Vamos lá, vai render um bom dinheiro. E, além disso, vou estar de ressaca, então quero que você dirija.”

Não queria ir. Estava exausto após tantos shows e estava louco por um descanso. Ainda assim, o Jeff é quem havia arranjado o meu primeiro emprego de roadie, em 96 com o Kenickie, uma banda indie de garotas . Eu meio que devia uma para ele.

“OK, desisto -suspirei- Quando e onde?”

Foi um desses momentos que parecem efêmeros, mas, quando os rememoramos, nos damos conta que os Deuses do Rock interferiram e deram à sua vida um rumo totalmente inesperado.

Nos encontramos na manhã seguinte no Matt Snowball, o que a) um nome verdadeiro, b) um armazém que também presta serviços, no norte de Londres. Como havia chegado cedo, fui tomar chá e conversei com a equipe, um pouco nervoso, como sempre fico quando conheço novas pessoas, mas sem a menor suspeita do quanto minha mudaria dali em diante.

Jeff, mantendo a sua palavra, chegou em condições deploráveis. Ele havia passado a noite bebendo com malucos do interior do sul inglês e mal podia falar, mas não havia mesmo muito tempo para conversar, já que, nesse meio tempo, uma van havia chegado, trazendo uns rapazolas que se apresentaram como Coldplay.

“Cabelo e roupas horríveis”, pensei.

Um deles ostentava um discutível corte de cabelo ao estilo de Paul Nicholas e aparentava ser o líder, então, pensei por um segundo, antes de perguntar:

“Qual a história por trás do nome da banda, então?”
“Bom -ele respondeu, me fitando, dando aquele sorrizinho desconcertante à la Alan Patridge que, desde então, me seguiu por todo o globo-, é o nome de uma brisa especial que sopra entre as montanhas!”
“O que, como a palavra Keanu? -disse eu, antes de perceber que era uma piada e que todos estavam rindo às minhas custas.”

Sujeitinhos prepotentes. Gostei deles.

Algumas coisas dessa primeira jornada ao norte ficaram realmente registradas, particularmente a imagem de Chris, correndo de um lado para o outro, chutando uma bola no estacionamento de um posto de gasolina. Ele parecia um garoto, cheio de energia e comicidade, como um aura imediatamente contagiante, sempre elevada ao grau mais alto. O cara fazia todos da equipe caírem na gargalhada com sua atitude tão notadamente cortês, ao ponto de me agradecer por jogar futebol com ele. Guy, em contraste parecia taciturno à primeira vista, mas logo se revelou jovial e amigável, também. Will, que aparentava ser sério e impassível, logo deixou claro que podia converter invisibilidade em carisma, imperceptível e rapidamente. E Jonny, o qual tinha -e tem- as feições mais amigáveis que os outros juntos, se destacou por achar engraçadas a maioria das coisas que eu dizia.

Após algumas horas na estrada, finalmente chegamos ao encarquilhado e fabuloso Empress Ballroom, em Blackpool. Os castiçais e ornamentos cintilantes de suas paredes velhas formavam um belo plano de fundo para o ensaio da curta perfórmance de quem vai abrir um show; não havia melhor lugar para ouvir uma banda pela primeira vez e já naquele momento, estava claro que eles estava obstinada a não decepcionar. Freqüentemente me perguntam se eu realmente gosto do Coldplay e tenho de admitir que, tirando uma ou outra música,  sempre adorei, não importando se isso soa piegas ou esquisito. Mas, o fato é que não posso ser mais objetivo quanto fui no primeiro dia, quando eu mal os conhecia e eles eram ex-universitários vestindo calças bregas.

A música que eles usaram para a passagem de som (e, conseqüentemente, a primeira música deles que eu ouvi) já está quase na história e está prestes a figurar entre os maiores clássicos de todos os tempos, como Brown Sugar ou You Only Live Twice, que todos conhecem, antes mesmo de os cantores abrirem a boca. De qualquer forma, eu dificilmente esquecerei Chris tocando a melancólica introdução acústica, seguida por címbalo/guitarra e estupefante verso YawwwSKEEEN”. Foi estranho e, de algum modo, perfeito.

A música e a perfórmance (era difícil não ficar acompanhando o Chris já naquela época) me deixaram absolutamente boquiaberto. Como eles pareciam caras realmente legais, resolvi dar um encorajamento de roadie.

Longe de ser um poeta, chamei Chris de canto e disse:

“Yellow é do c******, hein?”

A decorrente explosão de puro regozijo selou nossa amizade perpetuamente e deu início a uma série de paródias que eu não conseguiria deixar para trás. Gesticulando energicamente e chamando a atenção de qualquer pessoa que estivesse dentro de um raio de meia milha, meu novo chefe e amigo registrou a cena com um:

“Ei, gente, ouviram o que o Matt acabou de dizer? -uma acurada imitação do sotaque e trejeitos dos irmãos Mitchell- ‘YELLAW É DO C******, HEIN?'”

A reposta foi uma gargalhada geral e aprovação em igual medida e, desse episódio em diante, querendo ou não, eu passei a fazer parte do time. Não havia volta.

Pouco tempo depois dessa primeira e decisiva jornada, Jeff ligou para dizer que a banda precisava de uma ajuda em uma curta turnê junto com o Muse, o que se revelou ser a última que fizemos em uma van… Bom, até esse instante! Naquela época, o único técnico, digo, roadie do Coldplay -um sujeito ruivo e esquisito chamado Hoppy- estava ocupado na América e será que poderia substituí-lo? Claro que eu poderia. Já conhecia Hoppy -havíamos nos conhecido em uma turnê nos velhos tempos de Kenickie e nos dávamos muito bem, então ele realmente confiou que não havia problemas em ficar em seu lugar.

O Muse arrasou naquela turnê e estava começando a fazer sucesso comercial também, então foi estimulante desde o começo. Entradas esgotadas, shows na Pyramid de vidro e aço, em Portsmouth, no ambiente rubro e levemente diabólico da Apollo, em Manchester, passaram voando, carregando consigo uma tempesatade inovadora e vigorosa, ofuscadas por viagens insanas de ônibus em colinas, vales e charnecas enevoadas. A famosa Snake Pass, por exemplo, em um dia límpido, é um atalho bem configurado na área rural, correndo através dos Peninos, onde muros baixos de pedra, curvas fechadas e animais selvagens se combinam em uma experiência que James Herriott teria gostado. Mas, ei, pelo amor de Deus, não faça isso em uma vã de turnê em meio à bruma. Vai levar um dia inteiro, todos vão se c**** de medo e vão perder a passagem de som, também!

Algumas discussões bem importantes aconteceram nesse veículo, o qual, para os não-iniciados, chamamos de “splitter”, basicamente uma van modificada, modelada para serem incluídas mais janelas, antigos assentos de avião e uma mesa atrás do banco do motorista, bem como um espaço para o equipamento de show e bagagem, no fundo. Não há muito escopo, escapatória ou espaço privado; o sangue pode subir à cabeça e as pessoas podem facilmente descobrir quais são suas diferenças (uma boa prévia para o avião particular, rapazes). Chris e Guy, por exemplo, podem, às vezes, ter uma aguda divergência de opiniões, o que pode se converter em uma cena fremente, com rapidez, tão logo os dois ficam cara a cara no fundo estreito do mini-ônibus/Learjet.

“Por que você quer chamar o álbum de Parachutes?”
“Você não gosta desse título?”
“Bom, não.”
“Por que não?”
“Porque é uma droga.”
“Nem *******! Por que estão sendo tão negativista?”

E assim por diante…

Lembro disso, contudo, como um período de felicidade e concentração em toda a sua extensão, sendo o único motivo de apreensão o hábito de Jeff assistir a filmes na TV às suas costas, enquanto estava ao volante. Com freqüência, quando estávamos vidrados com uma perseguição com Steve McQueen, em Bullit, uma guinada repentina nos avisaria que estávamos seriamente em apuros. Gritos vociferantes de “JEFF! PARE DE OLHAR PARA A PORCARIA DA TEVÊ!” geralmente dariam conta do recado. Até que isso se repetisse, é claro. Que baderna!

Enfim, a equipe do Muse nos tratou muito bem e os integrantes da banda não poderiam ter sido mais gentis, o que o fez trabalho muito prazeroso. Outros teriam muito bem usado o grupo que abrisse seus shows como motivo de troça, mas para dizer a verdade, Jonny, Chris, Guy e Will enfrentaram a multidão com a avidez e confiança aparente de James Bond ou Errol Flynn, porém, com mais modos. Na maioria das noites, no meio da apresentação, cheio de auto-confiança e sagacidade, Chris se dirigia à platéia e dizia algo assim:

“Sabe, não quero parecer metido, mas vocês realmente deveriam aproveitar porque ano que vem vamos tocar em Wembley.”

Mais metido impossível, mas isso de fato soava como realidade e, de algum modo, bancando o palhaço e o rapsodo concomitantemente, ele conseguia dar um jeito. As pessoas começaram a simpatizar com ele e, de um modo ou de outro, ele e o restante do Coldplay cativaram o público de tal modo que se poderia perdoá-los por quase tudo.

Até pelo cabelo e pelas calças!

Imagem ilustrativa | Coldplaying.com

De A-Ha a SFA, na XFM

8 Agosto, 2008 Deixe um comentário

Recentemente, Jonny, Guy e Chris apresentaram um programa da rádio britânica, apresentando e comentando uma série de suas músicas favoritas para os ouvintes, incluindo de A-Ha, Rammstein, Super Furry Animals e “Sing”, dos também britânicos do Blur, inspiração para a composição de “Lost!”.